quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A MAIOR VIRTUDE


EVOLUÇÃO ESPIRITUAL


A MENSAGEM LOUCA DE CRISTO


O INFERNO NÃO É TÃO RUIM ASSIM


A PRÁTICA DO ABORTO E A ELEVAÇÃO ESPIRITUAL


A POBREZA E A PROVAÇÃO DO ESPÍRITO


Vida Cristã


Colonização da Terra


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Avanço cultural e moral do espírito

O espírito já conheceu as coisas do universo e sabe como funciona. A esse período da sua existência chamamos de evolução cultural. O espírito avança culturalmente sobre a realidade do universo nessa primeira etapa. Quando a acaba, passará, então, por um processo de avanço moral. 

Esta é a segunda etapa. Primeiro aprendeu, depois tem que ver como irá trabalhar as informações que recebeu. Trabalhar dentro de si, na sua personalidade. 

Esse é um processo descrito na Gênesis bíblica como a afirmação de Deus que diz: você pode comer de todas as coisas do paraíso, menos o fruto da árvore que fica no centro. 

“Você pode comer as frutas de qualquer árvore do jardim, menos da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal. Não coma a fruta dessa árvore, pois no dia em que você comer, certamente morrerá” (Gênesis, capítulo 2, versículos 16 e 17). 

O fruto da árvore do conhecimento é o saber. Sempre que se come, acredita, engole, um conhecimento, se adquire um saber um achar que sabe. Como este saber é sempre considerado positivo por quem acredita nele, é o instrumento usado para separar o bem do mal. 

Essa é a etapa inicial de todos os espíritos. Eles adquirem uma cultura e depois precisam provar que sabem lidar com ela. Provar que sabem tê-las, sem usá-las para separar o bem do mal. 

Porque é preciso esta prova? Porque dentro do avanço cultural o ser ainda aprende uma outra coisa: a ascensão moral de Deus e o seu atributo de ser a Causa Primária de todas as coisas, que existe justamente por conta da ascensão moral. Eles aprendem que existe o faça-se Deus. 

É por isso que essa prova é importante. O ser que aprendeu a conhecer as coisas do universo sem comer o fruto da árvore do conhecimento, ou seja, sem o ilusório poder de separar o bem do mal, respeita essa ascensão moral. Já aquele que comeu desse fruto, não demonstra esse respeito, que é necessário para a integração universal.

Este ponto de vista fica bem claro quando ouvimos o que a cobra conversou com Eva.

“Ela perguntou a mulher: é verdade que Deus mandou que vocês não comessem as frutas de nenhuma árvore do jardim?

A mulher respondeu: podemos comer as frutas de qualquer árvore, menos a fruta da árvore que fica no meio do jardim. Deus nos disse que não devemos comer dessa fruta nem tocar nela. Se fizermos isso, morreremos.

Mas, a cobra afirmou: vocês não morrerão coisa nenhuma! Deus disse isso porque sabe que, quando vocês comerem a fruta dessa árvore, os seus olhos se abrirão e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal.

A mulher viu que árvore era bonita e que as frutas eram boas de se comer. E ela pensou como seria bom ter conhecimento.” 

O espírito que come o fruto da árvore do conhecimento é aquele que quer se igualar a Deus, ter o mesmo poder dele, sem a ascensão moral para ser. Por isso, ele não consegue se fundir a totalidade dos seres do universo. 

O espírito que durante esse período de provação não conseguir vivenciar a aceitação das ascensão moral de Deus não estará mais simples. Vou ter que explicar isso melhor, porque no início de nossa conversa disse que a simplicidade não se altera. Para isso vamos usar o exemplo da Gênesis bíblica. 

A prova, então, é a seguinte. Você, o espírito, sabe que Deus é o senhor do universo porque tem ascensão moral para isso e precisa provar que sabe. Nesta provação existem apenas duas respostas que podem ser dadas: reconhecimento de que só Deus pode fazer isso ou se achar capaz de conhecer as coisas e por isso separar o bem do mal, o certo e o errado. 

Eis aí a etapa que é chamada de evolução moral. Este termo não tem a ver com a prática da moral humana, mas de reconhecer a ascensão moral do Senhor. Esta etapa da vida do ser espiritual é caracterizada pela busca ao reconhecimento da ascensão moral de Deus. 

Um detalhe: me desculpem, mas é a etapa que vocês que estão encarnados na Terra ainda vivem hoje, pois se trata do primeiro passo da evolução moral. Esta etapa se consiste à exposição do egoísmo ou individualismo. 

Ser um humano é viver uma etapa da busca do reconhecimento da ascensão moral de Deus através da prova do egoísmo. Como essa prova se realiza? Recebendo a informação de que você tem o mesmo poder de Deus, que tem a capacidade de separar o joio do trigo, sem esperar que ele seja roçado pelo Pai. 

Essa é a prova inicial da evolução moral. O espírito que até então apenas aprendeu, comprovará agora como se relaciona com essa cultura que recebeu. Ele pode se relacionar com ela de duas formas: louvando a Deus ou achando-se igual ou melhor que o Senhor.

Achando estranho falar em considerar-se melhor do que o Pai, mas não é isso que fazem. Se o ser não pode comer o fruto para não sentir-se capaz de separar o bem do mal é porque isso é um atributo específico de Deus, pois só Ele tem a Justiça Perfeita e o Amor Sublime para fazê-lo. Quando você aponta algo que considere mal, errado ou até mesmo injusto, não está achando que a sua justiça é melhor do que a de Deus? 

Esse é o início do processo de evolução moral. O espírito que até então só estudou, agora vai começar a aprender a lidar com tudo que aprendeu. Esse processo como descrito na Bíblia, é feito no mundo de nascimento e morte, sobre o qual falaremos daqui a pouco. 

Participante: estou lendo o livro Gênesis de Alan Kardec. Ele fala do progresso moral e isso se constituiria na chamada era de regeneração. Mas, você diz que a evolução do espírito nada tem a ver com a evolução moral. Minha pergunta. A evolução moral que levará a era da regeneração não significa melhora no caráter humano?

Não. Significa no caráter espiritual. As provações continuarão as mesmas porque a moral humana nada é mais do que a sua prova. É exatamente sobre isso que falaremos agora. 

Participante: é mais ou menos assim primeiro é preciso saber que não se sabe mais do que o professor. Isso entendido, senta-se na carteira e ouve-se a aula. 

Sim, você vai provar que apesar de ter ouvido o que o professor sabe, não se imagina mais sabedor do que ele. Reconhece que ele sabe mais do que você. Só que tem muita gente que senta na carteira e acha de que porque ouviu o que o professor falou, sabe mais do que ele. 

Participante: a personalidade não é do ego.

O ego é uma personalidade. Ele não tem, é. Além dela existe a personalidade espiritual. 

É um trabalho que fizemos um dia. Tudo que existe no mundo material, existe no espiritual. Tudo, pois o mundo material é uma miragem, algo que se vê onde existe outra coisa. 

Esse algo que é visto é determinado pelos seus conceitos. São eles que dão valor às coisas que existem e não elas mesmos. Por exemplo, casamento existe no mundo espiritual. Não o que você conhece como tal, mas existe alguma coisa que pode ser chamada de casamento. 

Libertar-se da materialidade é viver tudo o que existe no mundo material de uma forma absoluta e não pelas realidades relativas pelas quais as conhece.

Vida cristã


Interferência do médium no trabalho mediúnico

Participante: com relação ao médium consciente. O que ele pensa pode interferir no trabalho mediúnico? 

Pode, mas só haverá intervenção se aquele que está recebendo o fruto do trabalho precisar e merecer recebe-la. Se não houver o merecimento e a necessidade, jamais o médium conseguirá intervir na mensagem durante a atividade mediúnica. 


Deus é a Justiça, dá a cada um segundo as suas obras. Por isso não se pode dar a ninguém o que ele não mereça receber. 


Deixe-me fazer um parênteses. Sempre disse que umbanda é um trabalho feito para a plateia, para aqueles que vêm buscar alguma coisa. Sendo assim, havendo um trabalho dentro de uma determinada energia, será encaminhado para ser atendido quem precisa e merece aquela energia. 


É por isso que não se julga o trabalho de ninguém. Se um médium está fazendo um trabalho errado, dentro de uma energia que não combina com a casa, isso não tem problema algum. Digo isso porque esse médium não conseguirá atender quem não precisa e merece recebe-la.


O único prejudicado quando isso acontecer é o próprio médium, pois se os quesitos necessários não forem atendidos, ou seja, um trabalho com doação que seja realizado por uma equipe que esteja afinada dentro de um objetivo único, ele não recebe o pagamento pelo seu trabalho. 


Portanto, não se preocupem com o trabalho, mas cada um preocupe-se consigo mesmo ao fazer a atividade mediúnica. Cada um deve se preocupar com a sua intenção ao trabalhar, como se entrega ao próximo, como está convivendo com a sua mediunidade e não com a casa, com a religião ou com o trabalho dos demais médiuns da roda.

Você sabe o que é o seu mal?


O Apocalipse não tem real valor para o guerreiro da paz?

Nenhum valor. Não vale nada. 

O guerreiro sabe que a paz é conquistada a cada presente, a cada momento e por isso trabalha e se interessa apenas no momento agindo sobre as coisas que estão envolvidas nele. O que são essas coisas? Objetos, acontecimentos e ideias.

A esses três elementos que ele se atenta a cada momento. Se está conversando com três pessoas, o guerreiro da paz está envolvido no assunto
, nas ideias e nas três pessoas. Mas, se uma delas sai, esquece aquela pessoa e continua envolvido nas ideias das duas pessoas que estão presentes. 

O guerreiro da paz não se envolve com nada que não está presente no agora, porque sabe que só o que é presente, o que está no presente, pode lhe tirar a paz. Coisas futuras não trazem nenhum problema para paz, a não ser que o guerreiro traga o futuro para agora. Por exemplo, o medo de ser abduzido no futuro, se vivido no agora, onde não há essa ameaça, pode fazer o ser perder a paz. O ser não tem medo de ser abduzido um dia. Esse medo é vivido agora, como se a abdução estivesse acontecendo agora.

É por isso que o guerreiro da paz só se interessa pelo presente. O que está na Bíblia, o que vai acontecer no o futuro, para ele, não tem o menor valor. Deixa para se ocupar com essas coisas quando elas chegarem ao presente. 

Com relação especificamente às profecias, o guerreiro espera elas chegarem à sua realidade, acontecerem, e quando isso ocorrer vai aprender a trabalhar para não perder a sua paz. Enquanto não estiverem no presente, não dá a menor atenção a elas.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Regressão espiritual

REGRESSÃO ESPIRITUAL
Participante: se tudo é perfeito e nada pode dar errado do ponto de vista divino porque encarnações são interrompidas e levadas a mundos primitivos? Algo deu errado para esses espíritos encarnados que fez com que eles voltassem a passar por provas primitivas? Como pode alguém reprovar em matéria de ascensão, se tudo que é colocado como prova para o ser humano deveria servir para leva-lo a novas experiências e não experiências antigas?
Vamos por partes...
Primeiro detalhe de sua pergunta: mundo primitivo. O que será isso?
Se você me fala em mundo das cavernas, desculpe: ainda está preso a conceitos humanos, a ideias humanas que criam algo mais avançado ou mais atrasado. Mas, não creia que isso é exclusividade sua. O próprio Kardec em O Livro dos Espíritos e em todas as obras do Pentateuco Espírita classifica o índio como um sub ser, um ser primitivo. Fala dos silvícolas como se eles fossem espíritos de segunda categoria.
Acho que no mundo de hoje, onde se fala no fim dos preconceitos, não se pode mais dizer que o índio é um sub humano, um sub espírito. Por isso, o primeiro aspecto do qual se utiliza no seu questionamento, a ideia de voltar a um mundo primitivo, começa a perder força.
Nenhum espírito pode regredir no planeta em que vive a um mundo diferente do que está vivendo: isso está bem claro em O Livro dos Espíritos.
Além do mais, precisamos analisar outra questão. O que determina a evolução do espírito não é o aparato material com o qual convive. Esse é um grande detalhe que vocês não levam em consideração. Por causa disso, imaginam que o mundo das cavernas é, espiritualmente falando, inferior ao mundo atual. Ledo engano de alguém que imagina que as coisas espirituais são julgadas pelo seu aspecto humano...
Portanto, o mundo primitivo não é inferior ao mundo atual. Por isso, mesmo que considerássemos a hipótese de ser real a possibilidade do espírito sair do mundo atual e voltar ao primitivo, não poderíamos chamar isso de regressão...
Outro detalhe. Vocês chamam de habitante de mundo primitivo aqueles que habitavam as cavernas durante as encarnações. Por isso pensam que foram pessoas diferentes das de hoje. Sim tinham aparências e personalidades diferentes de hoje, mas quem eram os espíritos que habitavam aquelas massas? Vocês...
Não estou falando de um vocês diferente do que são hoje: eram os mesmos que são hoje... Isso porque a essência da provação dos espíritos que encarnam no orbe terrestre não mudou desde então.
O que vocês chamam de mundo das cavernas é um processo de evolução dentro do planeta Terra que foi vivido por vocês, por espíritos que estão em provação do egoísmo. Como ainda continuam egoísta, chegar até onde chegaram, viver no mundo de hoje, não pode ser chamado de evolução, já que não mudaram nada desde o tempo em que habitaram as cavernas. Continuam a mesma coisa.
Na verdade, o que mudou foi o aparato tecnológico do mundo e esse não tem nada a ver com o espírito. Desculpe, tem sim: é um instrumento de provação para ver se você acha que vive num mundo melhor do que o primitivo. Sendo assim, quando você me diz que retornar a um mundo primitivo é regredir, está sendo preconceituoso e está julgando a questão espiritual pelos aspectos humanos, ou seja, não conseguiu superar a proposição mental, já que tudo isso é gerado pela mente e não por você mesmo...
Eis aí, então, a primeira resposta ao sua questão: nenhum espírito pode voltar ao mundo primitivo neste planeta porque não existe mais este mundo, já que não existem mais as condições que haviam na matéria. Além do mais, viver num mundo primitivo não significa ser pior do que aquele que vive num mundo repleto de coisas tecnológicas. Por isso lhe afirmo que não existe regressão de espíritos para o mundo primitivo.
Segundo detalhe de seu questionamento: você me fala em encarnações interrompidas... Mas, não podem haver encarnações interrompidas.
Se o espírito pede um gênero de provas e a partir disso Deus cria a história de uma vida, a fatalidade, como você falar em interromper uma história de vida? Se o que acontece durante uma existência carnal é fruto do livre arbítrio do espírito e obra da Causa Primária, do Senhor do Universo, como isso pode ser alterado?
Por isso, quando você me fala em interromper uma encarnação, ou seja, em não deixar que algo previamente pedido e programado não aconteça, eu entendo que está dizendo que alguém é capaz de mexer no destino de outro e que esse ser tem mais poder que Deus. Quando você fala dessa forma, eu escuto que está me dizendo que alguém pode fazer alguma contra o que o Onipotente, Onisciente e Onipresente decretou que ia acontecer. Como isso não é possível, lhe digo que a ideia de que uma encarnação pode ser interrompida e o espírito ser levado a um mundo primitivo, ou seja, ao mundo das cavernas, é impossível.
Na verdade o que está fundamentando a sua crença é um problema que tenho tentado trazer para vocês: reflitam nas ideias que são divulgadas neste mundo sobre as coisas espirituais ao invés de crer no que alguém ser humanizado diz apenas por conta da fama que ele tem entre os humanos... Para que refletissem sobre esta questão lhes deixei uma pergunta: o que é Deus para vocês, o que ele representa para vocês.
Quando você me diz que uma encarnação pode ser interrompida e o espírito arbitrariamente ser jogado num mundo primitivo, está me mostrando que Deus para você é nada... Que Ele não tem potência alguma, ação nenhuma. Afirmo isso porque esta sua afirmação, se fosse verdadeira, mostraria que o Pai decreta uma coisa, mas alguém, e não importa que seja um espírito encarnado ou desencarnado, consegue agir contra o que foi decretado por Ele. Isso é impossível...
Sendo assim, não posso nem lhe dizer o que deu errado numa encarnação dentro da hipótese que você levantou, porque não consigo imaginar e nem nunca vi espírito algum ter sua encarnação interrompida e muito menos ser levado a um mundo primitivo.
Mas, existe mais uma pergunta dentro do seu questionamento: como pode alguém reprovar em matéria de ascensão, se tudo que é colocado como prova para o ser humano deveria servir para leva-lo a novas experiências e não experiências antigas? Vamos falar dela...
Como alguma coisa pode dar errado numa encarnação? Por conta do livre arbítrio do espírito...
Deus deu a você a possibilidade de escolher antes de nascer duas provações. Lhe deu, também, depois que nasce, a possibilidade de escolher entre o bem e o mal. Sendo assim, qualquer coisa que pode dar errado estará ligada a você escolher errado, seja antes ou depois do nascimento... Como o que pede antes da encarnação é avaliado por Deus que não deixa o espírito se sobrecarregar em provas, resta para o erro de agora apenas a sua escolha entre o bem e o mal enquanto vivencia os acontecimentos humanos.
O que pode dar errado numa encarnação é resultado da sua opção por apegar-se à razão. O erro que pode existir numa encarnação é o fato de você optar em permanecer rebelde contra Deus. Só isso.
É isso que dá errado, é isso que pode dar errado, é isso que pode lhe levar a viver num mundo primitivo, mas não neste planeta, porque aqui não existe mais as condições para isso, mas em outro. Além disso, este erro também não pode lhe levar a encerrar esta encarnação antes do determinado por Deus, porque ela só acabará quando chegar ao término determinado por Deus. Nem antes, nem depois..
Então, resumindo tudo o que falei, digo que o grande problema é que vocês ainda querem ser autônomos de Deus. Ainda querem viver num mundo onde as coisas possam acontecer sem que aja uma Causa Primária única.
Quando colocam uma Causa Primária única nas suas vidas, nada do que você me perguntou tem sequer a aparência de real. Repare que para lhe mostrar que estas ideias são falsas, eu apenas disse que nada pode ir contra a vontade de Deus. A partir disso ficou claro que o que você acredita fere frontalmente o que os mestres ensinaram que é Deus, o que Ele representa para o planeta Terra, e, por isso, não pode ser considerado como real.
Então, fica de novo o alerta, não só para você, mas para todos: pensem no que Deus representa para vocês, o que é Deus para vocês. Na hora que conseguirem achar a resposta e conseguirem entender a resposta que os mestres deram a esta questão, não terão mais dúvidas nesta vida...

Lei de Moisés

Participante: se Moisés escreveu os dez mandamentos inspirado por Deus, porque dizia não matar, não roubar, etc. e em nossos estudos vemos que estes acontecimentos são necessários? Ou fui eu que não entendi?
É bem típico de você, moça: colocar a culpa em si mesma...
Não foi você que não entendeu. Eu realmente sempre disse que devem haver assassinatos, apesar desta afirmação ser contrária à Lei de Moisés. Mas, vamos entender isso com calma...
Antes, deixe-me falar uma coisa. Moisés, ao descer do monte Sinai trouxe os dez mandamentos e neles estava contida a declaração que não se deve matar. Isso faz parte do Velho Testamento. Acontece que no Velho Testamento se diz também que o Salvador, o Messias viria depois e iria guiar o povo para a liberdade. Este Salvador, Messias, é o Jesus incorporado com Cristo.
Durante a missão Jesus Cristo, com respeito aos mandamentos de Moisés foi ensinado o seguinte: eu não vim para quebrar a lei, pois dela não se tira uma vírgula ou um ponto, mas sim para dar um novo sentido a lei. Sabendo disso, você deve imaginar que continua sendo proibido matar, mas que há uma nova interpretação para esta lei...
Está surpresa por eu falar assim? Está se perguntando porque já falei tantas vezes que não se deve julgar o assassino e agora venho dizer que o assassinato é proibido? A resposta a esta sua dúvida seria: uma coisa é uma coisa, outra coisa, é outra coisa...
Continuo afirmando que é proibido matar, como Cristo também disse, mas afirmo que esta lei precisa ser cumprida de outra forma, como o mestre também ensinou. Vamos tentar entender isso...
A lei de Moisés é coercitiva. Ela diz: não faça isso e exige de forma coercitiva que aquilo não seja feito. Cristo não é coercitivo. Isso fica bem claro quando ele afirma: venha para mim porque meu jugo é leve. Por isso ao invés de usar a coerção para se cumprir os mandamentos, o mestre usou o amor.
Amar: este é o novo sentido que Cristo trouxe para se aplicar à lei de Moisés. Não deixe de fazer alguma coisa por obrigação, mas ame para não fazer. Este é o sentido que Cristo deu aos ensinamentos dos profetas...
Quando você entende isso, verá que está escrito que não deve matar, mas compreenderá que deve não fazer isso por obrigação, não para cumprir o texto da lei, mas por amor ao próximo. Este é o sentido que complementou a lei de Moisés.
Então, a lei de Moisés continua existindo, mas com a ressalva: para cumprir os mandamentos ame a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo ao invés de cumprir o que é preconizado pela lei por conta do medo da punição ou pela obrigação de não fazer. Quando você ama da forma ensinada por Cristo, faça o que fizer, não infringe a lei, não se tornar um matador. É isso que quer dizer o ensinamento de Cristo.
Quando oriento vocês a não julgar aquele que mata, estou atendendo exatamente a este requisito trazido por Cristo: ame a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Faço isso para que você não fira o mandamento, para que não se torne um pecador...
É, quem mata alguém pela lei de Moisés pode ser considerado um pecador, mas quem critica, acusa, julga e calunia o matador ou qualquer outro ser por qualquer outra coisa, pela lei de Cristo está cometendo também um pecado. Como não existem diferenças entre pecado, um é igual ao outro. Não existe, aos olhos de Deus, diferença entre matar e criticar...
Portanto, nunca disse que você deve matar alguém. Nunca disse que deve ser livre o ato de matar alguém. Quando falo sobre assassinatos, estupros ou fazer ‘mal’ a alguém e oriento a não criticar quem faz estes atos, o faço no sentido de orientar você a não julgar quem fez e com isso lhe ajudo a cumprir o que foi determinado por Cristo.
Todos os argumentos que uso quando falo de acontecimentos que são considerados como maldade pelos seres humanizado não tem a finalidade de justificar o acontecido. O que faço é trazer elementos para que você se liberte da obrigação de julgá-los, para que se liberte do julgamento que a mente cria quando este acontecimento ocorre.
Eu já disse centenas de vezes que o importante para a aproximação de Deus não é aquilo que se faz, mas o que se vive internamente enquanto o acontecimento ocorre externamente. Quem mata com amor no coração não merece castigo. Merece sim aquele que que mata com acusações, julgamentos, críticas e calúnias no coração.
Esse matar a que me referi agora não precisa ser tirar a vida, mas apenas levar o outro ao sofrimento. Quem promove as condições para que o outro sofra, comete um pecado maior do que aquele que tira a vida com amor no coração, pois não cumpriu os ensinamentos de Cristo: não amou a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo...
O que estamos falando aqui é de mais um ensinamento de Cristo: o importante não é o que sai pela boca, mas sim do coração. As orientações que deixo quando falo de acontecimentos deste tipo têm a finalidade proteger o seu coração. Por isso digo que mesmo que determinada pessoa, espírito encarnado, tenha matado com ódio no seu coração, você não deve ter ódio no seu coração por ele. Tendo, estará infringindo a mesma lei que ele.
É isso que eu sempre quis dizer e que precisamos entender. Como já afirmei, a Bíblia é uma coisa só. Não dá para ler as dez leis de Moisés separadamente do resto, pois, mais à frente Cristo dirá que há uma outra interpretação para esta lei e depois ainda Paulo dirá que Deus não atende aqueles que cumprem a lei, mas àqueles que tem fé.
Acho que foram estes detalhes que levaram você a não compreender perfeitamente o que eu digo. No entanto, quando isso aconteceu, não foi porque você errou, como costumeiramente a sua mente cria esta ideia sobre si mesma. Não se julgue...

Semente da nova era

Participante: Pai Joaquim, vendo a condição humana nos dias de hoje, como fazer para implantar a semente da nova era nesse planeta? e como fazer nascer a consciência do UNO na humanidade ?
Grande pergunta...
Aliás, para nós é uma pergunta de suma importância, pois este é o nosso trabalho, o nosso objetivo. Como já comentei antes, a nossa função é auxiliar todos os seres que encarnam no planeta Terra a se colocarem sob a batuta de Deus, ou seja, é ajudar os seres no processo de encarnação no planeta Terra a tornarem-se uno com Deus.
Antes de lhe responder, porém, precisamos verificar se esta unidade que você fala é realmente algo importante. Se esta unidade é realmente o objetivo das encarnações no planeta Terra. Para provar isso terei que falar de algo que vocês não gostam muito: da Bíblia...
A Bíblia Sagrada é o livro das encarnações no planeta Terra. Ela é composta por uma parte histórica e outra moral. Desde a introdução, onde é dito o que aconteceu com os espíritos que os levou a necessidade de encarnar, a compreender porque estão vivendo a roda de encarnações neste planeta, passando pela parte moral, que é o caminho para se extinguir a causa das encarnações, a Bíblia serve como um guia completo para aqueles que encarnam neste planeta...
Ao final da Bíblia se chega ao livro Apocalipse. Ali se narra as diretrizes básicas das encarnações no planeta Terra. Estou falando daquele monte de informações sobre anjos tocando trombetas, das quebras de selos, etc. Estas informações formam toda a diretriz básica, o plano diretor, para usar palavras de vocês, das encarnações no planeta terra.
O livro Apocalipse começa com o cordeiro de Deus, Cristo, quebrando os selos, ou seja, dando início às encarnações no planeta Terra e acaba com a chegada da Nova Jerusalém, o novo mundo, o mundo de regeneração. Durante este processo, coisas estão narradas ali. Algumas já aconteceram e outras ainda acontecerão.
No fim do apocalipse, no fim da Bíblia, de mais de cinco mil páginas escritas, há uma frase pequena que nos diz qual é a finalidade de encarnar no planeta Terra. Nela Cristo diz: tudo está feito, eu sou o alfa e ômega, o princípio e o fim, eu e Deus somos um.
O tudo está feito que está nesta frase quer dizer que tudo está pronto antes de acontecer. Eu sou o alfa e o ômega, a primeira e a última letra do alfabeto de então, quer dizer que Cristo é o caminho. O caminho para o que? Para se tornar um com Deus, uno com Ele, como é dito logo a seguir.
Sendo assim, a frase eu e Deus somos um, encerra o objetivo de todo o processo encarnatório no mundo terrestre. Ou seja, aqueles que vão permanecer no planeta Terra para o mundo de regeneração são aqueles que provaram que querem se tornar um com Deus.
Além disso, posso provar que a unidade é o objetivo final da roda de encarnações porque, se você acredita em espiritismo, em O Livro dos Espíritos se fala que Deus dá aos espíritos simples e ignorantes uma missão, uma encarnação, uma vida humana, com a finalidade de aproximá-los de Si. Este aproximar é tão próximo que se torna um com Deus.
Portanto, se está na Bíblia e se está em O Livro dos Espíritos, posso dizer que este é o objetivo das encarnações neste mundo. Tornar-se um com Deus é o objetivo final de todo espírito que está na roda de encarnações do planeta Terra.
Provada a teoria de que ser uno com Deus é o objetivo das encarnações neste mundo, volto a sua questão. Você me pergunta como auxiliar a humanidade que hoje está no ponto que está – e essa visão fica por sua conta, já que eu não a vejo tão afastada de Deus assim – a tornar-se uno com Deus? A resposta é simples: sabendo o que é o alfa e o ômega, sabendo qual é o caminho para que isso aconteça, sabendo tudo o que tem que ser feito para tonar-se um com Deus. Ou seja, levando os seres humanizados a compreenderem que precisam viver como Cristo, ser o Cristo...
Quando chegamos a esta conclusão, achamos, então, a forma de ajudar a humanidade: é levar a ela uma forma crística de ser, ou seja, ajudá-la a alcançar uma consciência crística de vivencia dos acontecimentos humanos.
Só que tem um detalhe ao qual você precisa estar atento: a humanidade afirma que ama Cristo, mas odeia Jesus Cristo. Já falamos sobre isso num trabalho. Dissemos que a humanidade diz amar Cristo, mas odeia viver como ele viveu.
Aquele que ama Cristo, que entende que a sua forma de viver é um caminho para tornar-se uno com Deus, deveria estar buscando viver como ele, mas, ao invés disso, repudia a forma crística de vivência da vida. Mais: acusa e critica aqueles que vivem como Cristo. Estes são tratados como bobos, como pessoas sem objetivos, etc.
Se a humanidade realmente quisesse atingir a Deus, ao invés de atacar quem vivencia os acontecimentos desta vida dentro das perspectivas de Cristo, deveria, ao invés de reclamar de estar sendo atacada, passada para trás nos momentos em que perde alguma coisa, compreender que precisa se mudar, que precisa amar o Cristo e viver como Jesus Cristo.
Este é o caminho para ajudar a humanidade: ensiná-los a serem um Jesus Cristo. Mostrar a eles que precisam ser o alfa e o ômega para poderem chegar a unidade com Deus. Não há outro caminho, não há outro jeito. Não há outra saída neste planeta para aqueles que querem alcançar o reino do céu a não ser viver como Cristo viveu.
Nós fizemos um trabalho (‘Missão jesus Cristo’) há muito tempo onde dissemos que iriamos desmistificar o Cristo. Lembro que no primeiro dia me perguntaram porque era preciso fazer aquilo. Naquela época respondi que era porque a humanidade tem uma ideia errada de ser um Cristo, um Jesus Cristo. Deste caso vem mais um aspecto para lhe responder como ajudar a humanidade: o trabalho para ajudar a humanidade é ensiná-los é auxiliá-la a se tornar um Jesus Cristo, mas o caminho para isso é mostrar o Cristo verdadeiro.
As doutrinas ditas cristãs, fundamentadas nos ensinamentos de Cristo, mas deturpadas pelos humanos, são fundamentadas no ganhar nesta vida, enquanto que o ensinamento do mestre foi que não se deve amealhar bens neste mundo. Por isso, o que pode ser feito para ajudar a humanidade, além de conscientizá-la de que ser um Jesus Cristo é o caminho para Deus, é apresentar o verdadeiro ensinamento do mestre. Isso se consegue levando o ensinamento de Cristo livre do ganhar qualquer coisa neste mundo.
De tudo isso, chego, então, a resposta para a sua questão: para ajudar a humanidade neste momento o que é preciso é, primeiro, conscientizá-la da necessidade de ser um Cristo e em segundo lugar levar a ela o verdadeiro ensinamento do mestre, o ensinamento desmistificado da busca de receber neste mundo...
Apesar de já ter lhe respondido, deixe-me aproveitar a ocasião e lhe dizer uma coisa. Existe uma lenda no planeta de vocês que fala que Cristo voltará. Sim isso acontecerá, mas essa volta não é física. Ele não incorporará, não encarnará, não aparecerá fisicamente. O que voltará é o ensinamento dele dentro da sua essência original. Aliás, é isso que vai marcar a transformação de mundo de provas e expiações para regeneração, que é o período que estamos vivendo.
Só mais um detalhe para encerrarmos. Antes que os apressados me critiquem dizendo que pelo que falei só os cristãos poderão ser salvos, eu digo: não disse isso. Quando se fala em Cristo como caminho para a unidade com Deus não se fala especificamente num espirito, mas num ensinamento. Como o ensinamento de Cristo, Buda, Krishna, do Espírito da Verdade e de Maomé é todo o mesmo, alcança-se a Deus vivendo como cada um destes mestres ensinou, orientou...
Usei a palavra Cristo nesta resposta porque estou falando com um mundo ocidental, onde a presença do cristianismo é mais forte. Mas, se estivesse no oriente usaria Buda; se estivesse no mundo mulçumano falaria em Maomé; se estivesse na Índia falaria em ser um Krishna.
Por isso afirmo que se você é oriental pode ser salvo: basta ser um Buda. Se for indiano, seja um Krishna para se tornar um com Deus. Sendo mulçumano, seja um Maomé e alcançará o objetivo da roda de encarnações no planeta Terra.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Palestra


DESTINO OU LIVRE ARBÍTRIO?

Participante: existe destino e livre arbítrio ao mesmo tempo?

Existe destino, que é a vida humana, e existe livre arbítrio, que é algo do espírito que ele tem an
tes da vida e durante ela, mas que não influencia na vida, mas sim no vivenciar a vida. 

Se você, por exemplo, tiver que matar alguém, isso é vida e acontecerá porque aquela pessoa precisa morrer numa determinada hora e você está marcado para ser o instrumento escolhido por Deus para fazer aquilo. Agora como viverá o matar, com culpa ou no gozo de ter matado ou ainda na apatia, isso é você que escolhe. Isso é o livre arbítrio...

Participante: já ouvi falar que destino é como se fosse uma teia onde o espírito, dependendo do que escolhe a cada momento, caminhará por um ou outro caminho.
Nós já fizemos esta mesma figura e a chamamos de árvore da vida. É a mesma coisa que você está falando, mas apenas com dois detalhes que você não citou.

O primeiro é que na árvore da vida existem pontos convergentes, ou seja, pontos que independente do caminho que sejam percorridos eles serão vividos. São situações que não importa qual caminho você tome, chegará inexoravelmente a eles. 

Segundo: todas as teias estão pré-definidas. Não existe caminho novo, ou caminho que seja construído durante a vida. Por isso, não adianta nada haver caminhos disponíveis. Você pode ir por este ou por aquele caminho, mas estará vivendo sempre um caminho pré-definido e nunca saberá se havia outro caminho possível. Além disso, sempre chegará ao mesmo ponto. 

Portanto, ao invés de se prender a ideia da existência de múltiplos caminhos, viva tudo que lhe acontece como pré-determinado. Como informação científica o que você acabou de me dizer é muito bom, mas deixe isso para os sábios. Seja simples

Conto Zen

A importância de ser você mesmo. E não julgar.

Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior. 

Ele então disse ao Mestre:

- Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas ve
zes, mas nunca experimentei medo algum. Pôr que estou me sentindo assustado agora?

O Mestre falou:

- Espere. Quando todos tiverem partido, eu responderei. 

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o samurai perguntou novamente:

- Agora você pode me responder pôr que me sinto inferior?

O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

- Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior:
- Pôr que me sinto inferior diante de você? Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso. 

O samurai então argumentou:

E o Mestre replicou:

Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer outro, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer. 

Simplesmente olhe à sua volta.Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único.Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença.

Tudo é expressão igual de vida!

Quem somos

Participante: Na busca de descobrir quem somos, vejo nos grupos de espiritualidade se falar muito em Despertar a Consciência, em Acordar a Consciência, Expandir a Consciência, Ampliar a Consciência, Libertar a Consciência. Eu também participei disso tudo e até mesmo como fundador de grupos como esses... Não seria esta uma forma, de no fundo no fundo, reforçar ainda mais os processos do Ego e da Mente? Aparentemente, ao valorizar a Consciência deste modo inicia-se uma busca por conhecimento sem fim... Eu e um amigo meu uma vez, chegamos à conclusão de que na verdade, o Amor organiza o conhecimento confuso em caixinhas, para depois despejá-lo no Mar... Quer dizer, quando nos tornamos conscientes das coisas, na verdade não é porque já associamos uma imagem a um julgamento, ou seja já julgamos? Quando usamos e nos identificamos com o pensamento para formar as nossas consciências já não estaríamos nos julgando automaticamente, já que a Razão (divisor das coisas) é o motor deste pensamento humano? A fim de descobrirmos quem somos, não seria melhor falar em despertar a Inconsciência? Porque me parece que de consciência estamos lotados... E se formos pensar em unidade como o conjunto de todas as consciências, daí teríamos ali um Super Egão, Um gigante desperto do Conhecimento, e de um conhecimento que nada é... O verdadeiro trabalho aqui, para sabermos quem somos, não seria então o de desconstrução da Consciência, ou seja, colocar todos os símbolos da nossa consciência como iguais, sem valorizá-los de formas diferentes e despertar o "Inconsciente"?

Eu já disse isso algumas vezes: o problema nunca está do lado de fora, mas sempre dentro. Ou seja, o problema não é o que acontece no mundo, mas a forma como você internamente no seu mundo mental vive o que acontece no mundo.

Grupos de despertar, de aumentar ou de ampliar a consciência não são problemáticos, não acarretam problemas para vocês. O problema é a forma como a mente trabalha estas coisas. Vamos tentar entender o que quero dizer...

Quando falamos sobre a mente humanizada dissemos que ela possui características. A primeira delas é o egoísmo, ou seja, a mente pensa a partir do eu e para o eu ganhar alguma coisa, levar alguma vantagem. Segunda: todo processo mental é aprisionado às quatro âncoras. A vontade de vencer e o medo de perder, a vontade de ter o prazer e o medo do desprazer, a vontade de alcançar a fama e o medo da infâmia, a vontade de ser elogiado e o medo de ser criticado. Estas características balizam todo processo mental, seja ele realizado para fazer necessidades fisiológicas ou para estudar alguma coisa para ampliar a consciência.
Então, o problema não é o grupo que trabalha no sentido de ampliar consciência, de abrir consciência, mas sim na forma como a mente lida com estas coisas. Isso porque ela lida com as informações que recebe durante a participação nesses grupos egoisticamente e presa às quatro âncoras. É esse o aspecto principal deste assunto...

Agora que já falei qual o problema sobre o assunto que você tocou, vamos tentar entender perfeitamente a questão que você levantou. Quando fala em ampliar a consciência, está falando em adquirir novos conhecimentos que sejam mais universais que outros que possui. Por exemplo, quando você estuda a questão do espírito encarnado e do ser humano e amplia a sua consciência adquirindo a ideia de que é um espírito encarnado e não um ser humano, isso deveria provocar em você uma determinada atitude. Só que por conta destas características da mente, as coisas acontecem bem diferente.

Como a mente trabalha pelo eu, passa a achar que ser um espírito é uma verdade absoluta. Como busca vantagem para este eu começa a exigir que o outro aceite como verdade o que ela acredita. Faz isso no sentido de obter a vitória, o prazer de dominar o outro, a fama de ser uma pessoa que sabe mais e o elogio de ser o que mais sabe. A partir daí, portanto, aquela aparente expansão da consciência virou uma arma egoísta para a mente ao invés de ser apenas uma informação mais universalidade, um instrumento de libertação.

É esse que é o problema. O problema não é buscar novas informações para ampliar a consciência, ou seja, aquilo que acredita das coisas. O problema é que quando você tem acesso a novas informações a sua mente as trabalha aprisionada ao sistema humano de vida. 

Se ao invés de se deixar levar pelas criações mentais você recebesse a nova informação e cm esta nova consciência largasse alguma coisa, abrisse mão do que acreditava antes, não teria problemas. Mas, como a mente tem medo de perder, além de buscar ganhar com a nova informação, ela amplia a consciência, mas não larga o conhecimento antigo. Ou seja, quando você sabe que é um espírito, a mente se utiliza desta informação para benefício do eu, mas não deixa de trabalhar com informações humanas. A mente continua funcionando com as duas informações, pois para ela não existem verdades, mas apenas instrumentos para serem usadas na proposição do egoísmo. 

A sua pergunta vem muito a calhar dentro daquilo que temos proposto desde o início deste ano: a prática. Estudar, ter acessos a novos conhecimentos faz parte da vida e por isso acontece para quem precisa acontecer, mas como na história do barco de Buda, é preciso descer do conhecimento e praticá-lo. A prática da expansão da consciência é o abrir mão do que a consciência achava até aquele momento.
Portanto, se você está num processo de expansão de consciência, num processo de autoconhecimento de si mesmo e descobre que é um espírito, abandone a humanidade que vive ao invés de transformar esta informação em algo precioso, num tesouro que você possui e que por causa disso é um sábio.
Respondida de forma geral a sua questão, deixe-me abordar alguns aspectos que você levanto. Sim, quando você usa a informação como fonte de saber, está trabalhando para o ego, está construindo um superego. Falo isso fundamentado na ideia do próprio ego, porque o ego com consciência expandido não é super em nada.

Quanto ao que pergunta sobre ampliar o inconsciente, lhe digo que isso é impossível. É impossível se ampliar o inconsciente porque ele é inconsciente e por isso você não tem consciência do que está lá.
Como ampliar algo que você não conhece? Sei que vocês acreditam que se ampliarem o inconsciente poderão passar a saber o que está lá, mas neste caso ele não será mais inconsciente, mas consciente. Se o consciente é uma arma que a mente utiliza para a sua provação, o que estava no inconsciente agora não possui valor algum como saber real. 

Mais uma questão que você levanta: o interessante não é, então, destruir as informações? Sim, o interessante é destruir. Mas, o problema é que a mente não está interessada em destruir nada, pois destruir algo para ela é considerado como perder. 

É você que tem que destruir qualquer ideia, qualquer consciência que a mente cria. Como? Não acreditando em nada... Até porque quem acredita que expandiu a mente com alguma nova verdade, para de expandi-la, porque acha que já chegou à expansão máxima... 

Portanto, diga o que tiver para dizer, faça o que tiver que fazer, mas não se sente num trono e ache que é um rei. Continue sempre buscando e ao buscar sempre encontre algo que precisa se libertar e pratique esta libertação e não a informação científica que recebeu...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Chegar a Deus amando o dinheiro

Participante: porque Cristo diz que eu não devo ter posses materiais?

Porque você não sabe amar a estas coisas. Na verdade, guiado pelo ego, o ser age possessivamente e egoisticamente na relação com os demais elementos do mundo - a relação pecaminosa que vimos antes... 

O problema, no sentido espiritual, não são os elementos materiais, mas a forma como o ser se relaciona com qualquer coisa. Se o espírito relacionar-se com Deus, com os mestres ou mentores a partir de paixões humanas (possessivas) os objetivos da encarnação não serão alcançados do mesmo jeito.

Além do mais, Cristo não disse que o ser humanizado não pode ter coisas materiais – até por que ele tinha: o que ensinou é que o espírito não deve possuir aquilo que está sob sua guarda temporária. Disse também: não se pode desejar ter mais do que tem. Isso ele ensinou, mas não ter, não disse...

O Espírito da Verdade foi claro sobre o assunto: “É natural o desejo de possuir? Sim, mas quando o homem deseja possuir para si somente e para sua satisfação pessoal, o que há é egoísmo” (O Livro dos Espíritos – pergunta 883). Não há problema em ter, mas quando se tem e não se compartilha e, ainda por cima se quer mais, aí o egoísmo aparece e a elevação espiritual é abandonada. 

Quer ver um exemplo? Você tem uma calça?
Participante: tenho...

Quer comprar outra, não importa o motivo?
Participante: quero...

Então, você não ama universalmente a calça que tem...

Ter uma determinada quantidade de calças não é problema: você pode ter cinquenta ou uma. O importante é não achar-se dono dela e, por isso, esperar que ela lhe satisfaça (por exemplo esteja sempre limpa) ou querer ter outra que já não esteja sob sua guarda.

Participante: então eu posso alcançar a Deus através de coisas materiais, como por exemplo o dinheiro?

Sim, desde que ame este elemento de uma forma universal e não possessiva. Quando isso acontecer você não desejará o do próximo e não possuirá como seu o que estiver sob sua guarda... 

Se estes preceitos não estiverem preceitos não é amor, mas paixão. A paixão por qualquer elemento prende à materialidade, mas o amor universal por eles leva a Deus...

Participante: mas, se eu amar o dinheiro não amarei o próximo, porque irei querer ter o dinheiro?

É, vocês nem sabem o que é amor... Falou em amar, logo ligam este sentimento à possessão.
Se você amar universalmente o dinheiro amará o seu e o do próximo, sem precisar tê-lo. Além disso, poderá repartir o seu sem querer mantê-lo sob sua custódia. O amor universal ao dinheiro é aquele que não precisa da posse para ocorrer; a paixão é que necessita.
Vocês confundem amor universal com posse... Veja outro exemplo...

A esposa diz que ama seu marido, mas se esse se afasta (há uma separação do casal), ela diz que o amor acabou. Isso é amor ou paixão mundana? 

Paixão, pois precisa da possessão sobre o marido (estar perto) para existir. Se fosse amor verdadeiro ele continuaria existindo, mesmo que o objeto dele se afastasse...

Amar o dinheiro universalmente é amá-lo na sua ausência ou na sua presença, o que está no seu ou no bolso do outro, sem condições ou desejos... Amar a todas as situações que envolvam o dinheiro incondicionalmente...
Participante: amar desta forma é o que vem sendo dito que é o amor que se deve ter com Deus...
Sim, e por isso disse que se pode alcançar a Deus através do amor incondicional a qualquer coisa...
O amor a Deus que Cristo ensina é a sensação de felicidade (bem-aventurança) que se sente na alegria ou na dor, na felicidade ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza... Foi este mesmo sentido que eu dei acima ao amor ao dinheiro.

Levemos agora isso para o ensinamento presente de Paulo: aqueles que não têm a lei... Você, como cristão, deve buscar amar a Deus incondicionalmente, pois esta é a sua lei (ensinamento), mas aqueles que nem acreditem em Deus, se agirem com os elementos do mundo material nesta mesma incondicionalidade, terão cumprido a lei, sem nem ao menos conhecê-la.

Um ser humanizado não acredita em Deus: qual o problema, espiritualmente falando? Se, por vontade própria, ele se harmoniza com o Universo na carência e fartura, qual o problema?
Participante: mas, e a luta para manter o dinheiro que muitos fazem?

Continuo insistindo: não estou falando em possuir ou desejar, mas em amar incondicionalmente. Aqueles que lutam para manter o dinheiro, bem como aqueles que lutam para manter o prazer individual na sua relação com Deus (pede que o Pai faça o que ele quer), não estão amando, mas seguindo suas paixões materialistas.

Participante: é que o senhor dá uns exemplos difíceis de compreender...

Para poder tirá-los da mesmice.

Sem estes exemplos vocês condenariam todos que tem dinheiro, mesmo sem saberem com que intencionalidade eles se relacionam com as coisas...

Estes exemplos são bons porque acabam com a ideia de que o externo dita o interno de cada pessoa. O que vale não é o que se tem ou faz, mas o interno de cada um (a forma como se relaciona com o ato) já que Cristo ensinou que Deus julga as intenções e não as ações.
Participante: mas, Cristo ensinou que temos que amar a Deus?

Disse isso para você que acredita em Deus, mas, e para quem não acredita, será que não há salvação? Mais: se é Deus que emana as compreensões que o ego gera, será que este ser não poderia queixar-se depois de ter sido injustiçado porque o Pai não o fez acreditar Nele?
Pense... Nada pode ser hermeticamente fechado: tudo tem um destinatário e o mesmo ensinamento não pode ser aplicado coletivamente... Olha o que falamos do julgamento no início deste trecho: “... não importa quem você seja - pode ser o mais sábio sobre qualquer assunto, saber tudo de algum tema – não tem o direito de julgar ninguém. Mas, por que não tem direito a isso? Porque quando você julga (analisa e gera uma avaliação) o outro está fazendo o que mesmo que ele faz”. 

Como disse antes, Deus cria as verdades de cada um de acordo com sua provação. Se uma pessoa não acredita em Deus, eis aí uma compreensão, uma prova. A vitória nesta prova não é passar a acreditar, mas, mesmo fustigado por esta razão, viver incondicionalmente.
Para isso não precisa nem aprender os ensinamentos dos mestres: a lógica material serve.
Dinheiro foi feito para ser gasto, para gerar conforto, saúde, segurança: é isso que diz a lógica material. Quem segui-la, ou seja, despossuir a necessidade de manter o dinheiro sempre consigo, estará realizando a elevação espiritual.

A vida é cheia de altos e baixos; um dia se está por cima no outro por baixo. Compreendendo mais esta máxima material e vivendo-a com intensidade, saberá se trabalhar no momento que não tem dinheiro para tê-lo depois. Com isso eliminou o desejo e fez a elevação espiritual...
Agora disso tudo que disse retire a palavra dinheiro e coloque Deus... Não chegamos a todos os ensinamentos de Cristo sobre a forma de nos relacionar com o Pai?

Mas, os seres humanizados não aceitam o que estou dizendo porque partem da sua verdade para impor “certos”: “Cristo disse que tinha que amar a Deus, então nada substitui isso”. Ora, você está julgando o mundo, o certo e o errado, a partir de suas convicções e, por isso, não consegue entender o que estou dizendo. 

O que eu e Paulo estamos querendo dizer é que ninguém está perdido... Não importa se o ser humanizado é religioso ou não e nem que doutrina siga: se realizar o trabalho necessário, conseguirá a elevação espiritual. Mas, vocês não compreendem isso porque se fixam na letra fira do ensinamento do mestre...

A questão entre o que eu estou falando (elevar-se através do amor ao dinheiro) e o que vocês estão dando como certo, é semântica: só uma troca de nomes. Na verdade eu mantive a essência do ensinamento e troquei o nome justamente para mostrar que estão apegados à letra fria dos ensinamentos. 

Quer outra aplicação para isto que estou falando? A consciência que existe em alguns egos que os índios são selvagens e não podem elevar-se espiritualmente porque não possuem contato com os ensinamentos do homem branco. Estas verdades geraram, por exemplo, a necessidade da catequização. Mas quem disse isso, quem disse que é necessário que os silvícolas tenham que se adquirir a cultura do branco para poder se elevar?

Se o índio – que, aliás, tem muito mais chance do que o branco de se elevar por possuir menos conceitos sobre as coisas – vivenciar os ensinamentos de Cristo, mesmo que nunca tenha ouvido falar deste mestre, ele ascenderá ao reino do céu. 

Isto se aplica à ideia que os cristãos fazem dos mulçumanos, dos hindus e dos próprios integrantes das seitas cristãs diferentes, como as desavenças entre católicos e protestantes. Se estes seres conseguirem vivenciar os acontecimentos de sua vida dentro da incondicionalidade – o que aliás é ensinamento todos os mestres e não só de Cristo – estarão amando a Deus e é isso que importa.

É isso que Paulo está dizendo: não precisa ser judeu para ser salvo... Não precisa ser cristão, religioso e nem mesmo acreditar em Deus para alcançar a elevação espiritual. 

Na hora que os seres humanizados compreenderem esta realidade poderão aprender a conviver harmonicamente com o mundo em que vivem. O problema é que se apegam a letra fria de leis, que, aliás, são meras interpretações que eles mesmos fazem e com isso não conseguem viver bem nem com os outros nem com Deus.

Cura e fé

Participante: o que devo pensar quando a surge a cura independente da fé de acreditar ou não em Deus?

A fé não tem nada a ver com aceite, com acreditar. A fé tem a ver com entrega com confiança. Uma coisa é bem diferente da outra... 

Quando você se entrega a qualquer coisa e confia nela, está tendo fé nesta coisa, mas quando você precisa acreditar para se entregar, a entrega é ao seu raciocínio e não ao que foi pensado. Portanto, acreditar para se entregar, acaba com a própria fé. 

Tem um ensinamento no mundo de vocês que diz que a fé tem que ser racional. Isso não é fé. Isso porque quem precisa raciocinar alguma coisa para se entregar, não está tendo em fé. Por que? Porque não está tendo confiança ao que está se entregando. Na verdade está se entregando à sua certeza de quer aquilo é certo.

Então, a fé independe da crença em Deus, mas depende da entrega à Deus. Agora, eu lhe pergunto: se Deus é tudo e tudo é Deus, quem é o remédio, o médico ou o procedimento médico? Deus... Portanto, mesmo não acreditando em Deus, quem se entrega aos elementos humanos, está se entregando ao Senhor. 

Sendo assim, a cura pode vir, por exemplo da fé que você tem num médico, num procedimento médico, num remédio. Se você está se entregando com confiança a esses elementos sem antes avaliar se eles são bom ou mal, está se entregando a Deus e com isso a cura provém desta fé e não destes elementos. Essa seria a primeira parte da resposta.

A segunda é: no mundo espiritual se diz que dois mais dois dificilmente dá quatro. Ou seja, a cura não ocorre por essa, aquela ou aquela outra razão. Isso quer dizer que quem tem fé não será necessariamente curado. Este poderá ser curado, necessariamente ser não.

Então, quem tem fé, por essa confiança que tem, não se preocupa em conseguir o que quer.

Ele apenas se entrega. Ele diz: ‘eu confio em você, mas se vai acontecer o que estou prevendo, não sei’. Por isso digo que muitas vezes o não curar também é fruto da fé. 

Sei que para vocês é difícil de compreender o que estou dizendo, pois acham que qualquer coisa tem que dar determinado resultado para poder ser certa, mas nem sempre o resultado que você espera é o certo. Muitas vezes pode não dar o resultado que você quer, mas tudo estar certo... 

Afirmo isso porque se Deus é a Causa Primária de todas as coisas e a Justiça, posso dizer que qualquer resultado que advenha de uma ação será certa. Mais do que isso, será aquilo que for merecido. 

Acho que compliquei sua cabeça, mas a resposta seria essa

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Choque de realidade

Joaquim tem nos falado a respeito da busca da felicidade. Não é um assunto novo – aliás, nem esta idéia de se estudar os acontecimentos da vida é nova, pois já está presente no estudo Carmas humanos, mas, vejo as pessoas perdidas com as informações que ele passa. Por isso, gostaria de passar a vocês algumas idéias que foram se formando na minha mente ao longo dos anos e que contempla tudo o que ele está falando e que já falou até hoje. Chamo esta técnica de choque de realidade. 

Antes de falar da técnica em si, quero dizer que já a venho colocando em prática algumas vezes comigo mesmo e quando consigo fazer isso dá resultado. Ou seja, consigo passar pelo momento com certo grau de tranqüilidade e paz. 

Mas, vamos lá... 

Krishna ensina que devemos assistir a nossa vida. Este ensinamento tem sido a base de tudo o que Joaquim nos falou desde aquele remoto dia de 2004 quando estudamos o Bhagavad Gita. Essa também é a base da técnica Choque de Realidade.

Assistir a vida é assistir aos acontecimentos dela. Ver o que está acontecendo sem participar das ações. Mas, como participamos das ações ao invés de apenas observá-las? Querendo nos intrometer no fluxo dos acontecimentos... Por isso, a primeira premissa para se alcançar a tranqüilidade é não querer influir no fluxo dos acontecimentos da vida.

O que são os acontecimentos da vida? Eles ocorrem em dois planos: mental e físico. Tudo aquilo que vivemos é determinado por uma ação externa e por uma consciência interna. A primeira dá a percepção; a segunda, dita o que está acontecendo. 

A primeira é simples de entender do que se compõe: daquilo que percebemos através dos órgãos dos sentidos. A segunda é um pouco mais complexa. Ela é composta daquilo que sabemos pela razão (pensamentos) e daquilo que sentimos (inteligência emocional). A soma do que percebemos mais o que a razão nos diz que está acontecendo e o que estamos sentindo naquele momento é o acontecimento de nossas vidas. 

É a isso que devemos assistir, segundo o ensinamento de Krishna encampado por Joaquim. Por isso essa é a base do choque de realidade. Para isso, utilizo três passos distintos. Para falar deles, vou usar um exemplo: alguém lhe rouba...

Primeiro passo: excluir o agente causador do acontecimento, seja você ou outra pessoa ou objeto.

Somos seres humanos e por mais que digamos que entendamos e acreditamos nos ensinamentos fatalistas, ainda achamos que os acontecimentos precisam de um agente causador. Mas, se a vida vive por si mesmo ou se Deus é a Causa Primária de todas as coisas, não existe agente causador dos acontecimentos. O acontecimento acontece por ele próprio e não porque alguém o faz a acontecer. 


Sendo assim, dentro do exemplo que estou utilizando a primeira coisa é retirar a figura de um ladrão, de alguém que tenha roubado. Não foi uma pessoa que tirou o dinheiro, mas sim a própria vida. Foi ela, ou melhor, o acontecimento dela, que criou a percepção de você ter perdido um bem. 


Essa ação é necessária para não participarmos do acontecimento. Se ainda achamos que alguém foi o agente causador daquele acontecimento, nós vamos nos imiscuir na vida criando conceitos sobre ele. Vamos interferir na vida criando rótulos para as pessoas que participam dela. Se não houver agentes, continuamos apenas observando as pessoas que transitam nos acontecimentos de nossa vida como elas são: pessoas...


Portanto, ao vivermos o acontecimento que está nos servindo de exemplo devemos apenas ter a consciência de que não possuímos mais o bem ao invés de dizer que ele foi roubado por alguém.


Segundo passo: encarar a realidade...


Assistir ao acontecimento é saber o que está acontecendo. Participar da ação é viver as emoções que a mente está criando e as conseqüências que ela mesma cria para ele. Por isso, é preciso encarar a realidade frente. Quando fazemos isso, ou seja, sabemos apenas do acontecimento, mas não vivemos as conseqüências dele, conseguimos a paz. Vou explicar...
Quando a mente cria um acontecimento, ela não se limita apenas a criá-lo, mas fala dele. Criando uma situação de roubo, vai dizer que aquilo é injusto, que aquele acontecimento não deveria ter acontecido, que ele poderia ter sido evitado, que aquilo lhe causará prejuízo futuro, etc. Além disso, cria determinadas emoções para quem participa da ação que não podem ser evitados: sentir-se injustiçado, sentir-se injuriado, sentir medo, etc. 


Quem vive o acontecimento vive tudo isso; quem assiste o acontecimento não participa dessas coisas. Quem assiste ao acontecimento encara a realidade de frente: 'Fui roubado sim, e daí? O que eu posso fazer? O presente do roubo já aconteceu e não pode ser mudado. Se foi justo ou não, não sei: sei apenas que fui roubado e isso não pode mudar'. Quem assiste ao acontecimento de frente não se deixa levar pelos comentários da mente: 'Sei lá se eu vou ser assaltado de novo... Sei lá se o que me foi roubado fará falta no futuro'. 


Quem assiste a vida vê o roubo acontecer, mas não se sente roubado. Por isso não aceita nem as emoções que a mente cria no momento nem as declarações que ela faz sobre o acontecimento. Mas, para encarar a realidade de frente é preciso ainda algo importante: descobrir o que a mente está usando para criar toda a declaração e as emoções daquele momento. Isso sempre tem a ver com os desejos...


Terceiro passo: identificar o desejo


Falar em retirar do acontecimento as conclusões e emoções que a mente cria é chover no molhado, é óbvio. Se não queremos sofrer e se fazemos isso porque a mente nos propõe esta postura sentimental, se extinguimos estas coisas, deixamos de sofrer. Mas, esta ação que aparentemente é tão simples torna-se muito difícil. Por quê? Porque não secamos a fonte da mente...


Ser assaltado é um acontecimento normal da vida de qualquer um. Milhares de pessoas todos os dias são assaltadas nas ruas de todas as cidades do mundo. Sendo assim, todos estão sujeitos a passar por esta situação. Se isso é verdade, ou seja, se sabemos disso racionalmente, porque a mente ainda cria sofrimentos quando este acontecimento ocorre? Porque ela está presa em razões escondidas... Estas razões são os desejos...


A mente só cria estas emoções sofredoras porque contém uma verdade que diz que aquela pessoa não deve ser assaltada. Mas, por que não deve, se muitos são? Será que ela é melhor que os outros seres humanos? Será que ela é mais pura e por isso não precisa passar por esta situação?


Aí está, no meu entender, a grande sacada para não sofrer: encarar de frente a realidade, mas principalmente encarar de frente os desejos da mente. Encará-los de frente é ver que a mente trata a pessoa como ser especial, muito digno, uma pessoa que não deve receber nada além daquilo que os seus desejos dizem que ela tem que receber. Mas, não existem pessoas assim. Todos somos seres humanos, todos dividimos a responsabilidade de viver e construir a história deste planeta sem privilégios. Portanto, tudo o que acontece aos outros, pode acontecer conosco, independente do que os desejos queiram...


Aí está o choque de realidade e ele tem este nome porque se resume a enfrentar a realidade que está acontecendo ao invés de viver o que a mente está dizendo ou sentindo naquele momento. Como disse, isso tem me ajudado muito a manter a paz, a calma e o equilíbrio em muitos momentos da vida. Por isso quis compartilhá-lo com vocês.

A nuvem branca

Uma nuvem branca existe sem nenhuma raiz. Mas ainda assim existe.
A existência inteira é como uma nuvem branca – sem qualquer raiz, sem qualquer causalidade – ela existe. Existe como um mistério.
 
Uma nuvem branca não tem, na realidade, nenhum caminho próprio. Vagueia. Não tem onde chegar, não tem objetivo, não tem destino a ser cumprido. Não tem fim.
Você não pode deixar uma nuvem branca frustrada, porque onde quer que ela chegue, é a meta.
 
Se você tem uma meta, está destinado a ficar frustrado. Quanto mais a mente é orientada para uma meta, mais angústia, mais ansiedade e mais frustração possui – porque quando você tem uma meta começa a se mover em direção a um objetivo fixo.
 
E a existência inteira existe sem qualquer destino. O todo não está indo a lugar algum; não possui nenhuma meta, nenhuma finalidade.
 
Se você tem uma finalidade, está indo contra a existência – você ficará frustrado.
 
Uma nuvem branca deixa-se levar para onde quer que o vento a dirija – não resiste, não luta. Uma nuvem branca não é um conquistador, e mesmo assim flutua acima de tudo. Você não pode conquista-la, não pode vencê-la. Ela não tem nenhuma mente para ser conquistada.
Quando você está fixado numa meta, propósito, destino ou significado, quando adquire essa loucura de chegar a algum lugar, os problemas começam a surgir. E você acaba sendo derrotado – isto é certo. Sua derrota está na própria natureza da existência.
 
Uma nuvem branca não tem para onde ir. Movimenta-se, vai para todos os lugares. Todas as dimensões lhe pertencem, todas as direções lhe pertencem. Não rejeita nada. Tudo é, existe, numa total aceitação.
 
Por isso chamo meu caminho de “O caminho das nuvens brancas”, diz Osho.