sexta-feira, 9 de junho de 2017

Palestra


DESTINO OU LIVRE ARBÍTRIO?

Participante: existe destino e livre arbítrio ao mesmo tempo?

Existe destino, que é a vida humana, e existe livre arbítrio, que é algo do espírito que ele tem an
tes da vida e durante ela, mas que não influencia na vida, mas sim no vivenciar a vida. 

Se você, por exemplo, tiver que matar alguém, isso é vida e acontecerá porque aquela pessoa precisa morrer numa determinada hora e você está marcado para ser o instrumento escolhido por Deus para fazer aquilo. Agora como viverá o matar, com culpa ou no gozo de ter matado ou ainda na apatia, isso é você que escolhe. Isso é o livre arbítrio...

Participante: já ouvi falar que destino é como se fosse uma teia onde o espírito, dependendo do que escolhe a cada momento, caminhará por um ou outro caminho.
Nós já fizemos esta mesma figura e a chamamos de árvore da vida. É a mesma coisa que você está falando, mas apenas com dois detalhes que você não citou.

O primeiro é que na árvore da vida existem pontos convergentes, ou seja, pontos que independente do caminho que sejam percorridos eles serão vividos. São situações que não importa qual caminho você tome, chegará inexoravelmente a eles. 

Segundo: todas as teias estão pré-definidas. Não existe caminho novo, ou caminho que seja construído durante a vida. Por isso, não adianta nada haver caminhos disponíveis. Você pode ir por este ou por aquele caminho, mas estará vivendo sempre um caminho pré-definido e nunca saberá se havia outro caminho possível. Além disso, sempre chegará ao mesmo ponto. 

Portanto, ao invés de se prender a ideia da existência de múltiplos caminhos, viva tudo que lhe acontece como pré-determinado. Como informação científica o que você acabou de me dizer é muito bom, mas deixe isso para os sábios. Seja simples

Conto Zen

A importância de ser você mesmo. E não julgar.

Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior. 

Ele então disse ao Mestre:

- Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas ve
zes, mas nunca experimentei medo algum. Pôr que estou me sentindo assustado agora?

O Mestre falou:

- Espere. Quando todos tiverem partido, eu responderei. 

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o samurai perguntou novamente:

- Agora você pode me responder pôr que me sinto inferior?

O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

- Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior:
- Pôr que me sinto inferior diante de você? Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso. 

O samurai então argumentou:

E o Mestre replicou:

Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer outro, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer. 

Simplesmente olhe à sua volta.Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único.Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença.

Tudo é expressão igual de vida!

Quem somos

Participante: Na busca de descobrir quem somos, vejo nos grupos de espiritualidade se falar muito em Despertar a Consciência, em Acordar a Consciência, Expandir a Consciência, Ampliar a Consciência, Libertar a Consciência. Eu também participei disso tudo e até mesmo como fundador de grupos como esses... Não seria esta uma forma, de no fundo no fundo, reforçar ainda mais os processos do Ego e da Mente? Aparentemente, ao valorizar a Consciência deste modo inicia-se uma busca por conhecimento sem fim... Eu e um amigo meu uma vez, chegamos à conclusão de que na verdade, o Amor organiza o conhecimento confuso em caixinhas, para depois despejá-lo no Mar... Quer dizer, quando nos tornamos conscientes das coisas, na verdade não é porque já associamos uma imagem a um julgamento, ou seja já julgamos? Quando usamos e nos identificamos com o pensamento para formar as nossas consciências já não estaríamos nos julgando automaticamente, já que a Razão (divisor das coisas) é o motor deste pensamento humano? A fim de descobrirmos quem somos, não seria melhor falar em despertar a Inconsciência? Porque me parece que de consciência estamos lotados... E se formos pensar em unidade como o conjunto de todas as consciências, daí teríamos ali um Super Egão, Um gigante desperto do Conhecimento, e de um conhecimento que nada é... O verdadeiro trabalho aqui, para sabermos quem somos, não seria então o de desconstrução da Consciência, ou seja, colocar todos os símbolos da nossa consciência como iguais, sem valorizá-los de formas diferentes e despertar o "Inconsciente"?

Eu já disse isso algumas vezes: o problema nunca está do lado de fora, mas sempre dentro. Ou seja, o problema não é o que acontece no mundo, mas a forma como você internamente no seu mundo mental vive o que acontece no mundo.

Grupos de despertar, de aumentar ou de ampliar a consciência não são problemáticos, não acarretam problemas para vocês. O problema é a forma como a mente trabalha estas coisas. Vamos tentar entender o que quero dizer...

Quando falamos sobre a mente humanizada dissemos que ela possui características. A primeira delas é o egoísmo, ou seja, a mente pensa a partir do eu e para o eu ganhar alguma coisa, levar alguma vantagem. Segunda: todo processo mental é aprisionado às quatro âncoras. A vontade de vencer e o medo de perder, a vontade de ter o prazer e o medo do desprazer, a vontade de alcançar a fama e o medo da infâmia, a vontade de ser elogiado e o medo de ser criticado. Estas características balizam todo processo mental, seja ele realizado para fazer necessidades fisiológicas ou para estudar alguma coisa para ampliar a consciência.
Então, o problema não é o grupo que trabalha no sentido de ampliar consciência, de abrir consciência, mas sim na forma como a mente lida com estas coisas. Isso porque ela lida com as informações que recebe durante a participação nesses grupos egoisticamente e presa às quatro âncoras. É esse o aspecto principal deste assunto...

Agora que já falei qual o problema sobre o assunto que você tocou, vamos tentar entender perfeitamente a questão que você levantou. Quando fala em ampliar a consciência, está falando em adquirir novos conhecimentos que sejam mais universais que outros que possui. Por exemplo, quando você estuda a questão do espírito encarnado e do ser humano e amplia a sua consciência adquirindo a ideia de que é um espírito encarnado e não um ser humano, isso deveria provocar em você uma determinada atitude. Só que por conta destas características da mente, as coisas acontecem bem diferente.

Como a mente trabalha pelo eu, passa a achar que ser um espírito é uma verdade absoluta. Como busca vantagem para este eu começa a exigir que o outro aceite como verdade o que ela acredita. Faz isso no sentido de obter a vitória, o prazer de dominar o outro, a fama de ser uma pessoa que sabe mais e o elogio de ser o que mais sabe. A partir daí, portanto, aquela aparente expansão da consciência virou uma arma egoísta para a mente ao invés de ser apenas uma informação mais universalidade, um instrumento de libertação.

É esse que é o problema. O problema não é buscar novas informações para ampliar a consciência, ou seja, aquilo que acredita das coisas. O problema é que quando você tem acesso a novas informações a sua mente as trabalha aprisionada ao sistema humano de vida. 

Se ao invés de se deixar levar pelas criações mentais você recebesse a nova informação e cm esta nova consciência largasse alguma coisa, abrisse mão do que acreditava antes, não teria problemas. Mas, como a mente tem medo de perder, além de buscar ganhar com a nova informação, ela amplia a consciência, mas não larga o conhecimento antigo. Ou seja, quando você sabe que é um espírito, a mente se utiliza desta informação para benefício do eu, mas não deixa de trabalhar com informações humanas. A mente continua funcionando com as duas informações, pois para ela não existem verdades, mas apenas instrumentos para serem usadas na proposição do egoísmo. 

A sua pergunta vem muito a calhar dentro daquilo que temos proposto desde o início deste ano: a prática. Estudar, ter acessos a novos conhecimentos faz parte da vida e por isso acontece para quem precisa acontecer, mas como na história do barco de Buda, é preciso descer do conhecimento e praticá-lo. A prática da expansão da consciência é o abrir mão do que a consciência achava até aquele momento.
Portanto, se você está num processo de expansão de consciência, num processo de autoconhecimento de si mesmo e descobre que é um espírito, abandone a humanidade que vive ao invés de transformar esta informação em algo precioso, num tesouro que você possui e que por causa disso é um sábio.
Respondida de forma geral a sua questão, deixe-me abordar alguns aspectos que você levanto. Sim, quando você usa a informação como fonte de saber, está trabalhando para o ego, está construindo um superego. Falo isso fundamentado na ideia do próprio ego, porque o ego com consciência expandido não é super em nada.

Quanto ao que pergunta sobre ampliar o inconsciente, lhe digo que isso é impossível. É impossível se ampliar o inconsciente porque ele é inconsciente e por isso você não tem consciência do que está lá.
Como ampliar algo que você não conhece? Sei que vocês acreditam que se ampliarem o inconsciente poderão passar a saber o que está lá, mas neste caso ele não será mais inconsciente, mas consciente. Se o consciente é uma arma que a mente utiliza para a sua provação, o que estava no inconsciente agora não possui valor algum como saber real. 

Mais uma questão que você levanta: o interessante não é, então, destruir as informações? Sim, o interessante é destruir. Mas, o problema é que a mente não está interessada em destruir nada, pois destruir algo para ela é considerado como perder. 

É você que tem que destruir qualquer ideia, qualquer consciência que a mente cria. Como? Não acreditando em nada... Até porque quem acredita que expandiu a mente com alguma nova verdade, para de expandi-la, porque acha que já chegou à expansão máxima... 

Portanto, diga o que tiver para dizer, faça o que tiver que fazer, mas não se sente num trono e ache que é um rei. Continue sempre buscando e ao buscar sempre encontre algo que precisa se libertar e pratique esta libertação e não a informação científica que recebeu...