terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Realidade, uma projeção da consciência


O que é inteligência?


pai joaquim de aruanda


Livre arbitrio e fatalidade


Falando de vida


Vendilhões do templo

Participante: qual o significado da passagem bíblica de Jesus expulsar os vendilhões do templo à luz do que discutimos sobre deixar o outro ser, estar e fazer o que quiser, sem qualquer julgamento?
No início de sua pergunta você me questiona sobre o significado de uma passagem bíblica. As passagens narradas pela Bíblia são acontecimentos humanos. Por isso lhe pergunto: qual o significado de qualquer passagem humana? A teatralização de uma prova. Qualquer passagem que envolva seres humanos é uma provação para o espírito.
Este é o significado desta passagem para os humanos, mas qual seria o sentido espiritual dela, ou seja, que provação está sendo colocada? Não comercialize com Deus. Na casa do meu Pai não se pode fazer negócio.
Compreendido este significado, pergunto: esse ensinamento é seguido? Eu diria que não… E não pensem que estou falando da livraria do centro espírita ou da quermesse do padre. Isso, na verdade, não tem problema.
A minha pergunta é a seguinte: será que as pessoas ainda vão ao centro, à casa espírita, a igreja buscando receber algo em troca? Será que procuram nestes lugares ganharem alguma coisa, nem que seja a sua elevação espiritual? Se a resposta é sim, elas estão comercializando com Deus. Os seres humanizados vão aos locais de adoração não para encontrar a sua espiritualização, mas como uma negociata com Deus: ‘eu vim até aqui, agora o Senhor tem que me dar o que eu quero, o que vim buscar…’
Será que Cristo vai ter que voltar a este planeta e viver a teatralização de sentar o chicote em vocês? Eu acho que sim, não é?
Este é o primeiro ponto que queria abordar aproveitando a sua pergunta. Agora, vamos ao que realmente você perguntou: Jesus julgou? Eu lhe respondo que não!
Julgamento é alguma coisa interna. Você estava dentro da mente de Jesus para ler o pensamento que ele teve naquele momento para poder afirmar que julgou alguém? Não! Mas, você julgou Jesus não foi? Claro que sim, pois quando me diz ele julgou sem ver o que ia no mundo interno dele, você o julgou, avaliou o que ele poderia estar pensando.
É exatamente o que eu acabei de dizer: o ato humano serviu como prova. E você caiu… Caiu porque se ligou a ideia que a mente criou afirmando que Jesus tinha julgado para poder fazer aquele ato.
É isso que quero que vocês compreendam: toda passagem bíblica é ato, é prova. Portanto, não julguem nada do que virem escrito lá, mas apenas busquem a essência do ensinamento e tentem aplicar à vida de vocês.
Deixe-me lhe dizer algo. Nesses quinze anos que tenho trabalhado junto à vocês tenho ouvido tantas coisas serem atribuídas a Jesus, coisas referentes ao seu mundo interno, que fico admirado, mais uma vez, pela capacidade da mente humana criar ideias para o outro.
O que você fez na sua pergunta é a mesma coisa quando vocês encontram uma pessoa e afirmam para si mesmos: ‘aquela pessoa agiu daquele modo porque ela pensou isso, porque ela sabia disso, porque ela queria aquilo’. Vocês acham que têm a capacidade de ler o que está por dentro de cada um. Isso é julgamento.
O pior é que além de não verem que estão julgando, muitos ainda se vangloriam de agirem assim. Dizem: ‘eu tenho a espiritualidade aflorada porque eu sou capaz de sentir o que está se passando dentro daquela pessoa. Eu tenho uma intuição bem grande e sei o que acontece o que os outros acham e pensam’.
É preciso tomar muito cuidado com a mente. Ela enrola e engana vocês, justamente para lhes prender a ideias como a de que Cristo julgou ou de saber qual a intencionalidade de uma pessoa ao agir. Cuidado, viu

Sansara

O espírito que está preso ao sansara (roda de encarnações) vem para carne e quando aqui está não se esforça para evoluir para, assim, poder voltar (reencarnar) e sentir de novo o prazer.
O prazer é um tóxico que intoxica o espírito e cria dependência. Aí o ego, instrumento para a provação, cria diversas paixões, fundamentadas em verdades e justificativas, prometendo que, a partir delas, gerará prazer.
O ser humanizado, então, dependente e viciado nesta sensação, apesar de conhecer a Realidade trazida pelos ensinamentos, deixa se iludir pelo gerador de realidades. Mas, não faz isso por “maldade”, mas porque só assim lhe é garantido o prazer no qual está viciado.