sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Verdades Individuais

Ou seja, a Bíblia ensina claramente que Eva achou como seria bom ter conhecimento (verdades individuais) para que ela aplicasse valores às coisas do mundo. Este é o pecado original. 

Muito se fala deste dogma da religião católica e diversas religiões nem aceitam que ele exista. Muitas verdades individuais são atribuídas a este termo, mas o que está escrito é claro: o pecado cometido originalmente pelos espíritos é querer usurpar de Deus o direito de conferir valores às coisas do mundo.


Você, espírito que hoje está humanizado, é uma Eva ou um Adão, pois ainda vive no pecado original, ou seja, ainda aplica valores às coisas do mundo, ainda julga o mundo. Por querer agir assim foi “expulso do paraíso”, o mundo espiritual, para o lugar de “morte”, a vida carnal.
Por ainda não ter se libertado do fruto da árvore do conhecimento (o saber) que determina valor para as coisas é que ainda está preso à roda das encarnações. Ou seja, você ainda está reencarnando para promover a elevação espiritual porque não conseguiu desfazer-se deste conhecimento e continua utilizando as verdades individuais que o ego dá como Realidade, como Verdade. 


Agora veja. Se foi expulso por este motivo, como voltar para lá, ou seja, o que será promover a reforma íntima? Abrir mão deste conhecimento. Como fazê-lo? Não mais acreditando no que o ego lhe diz. 


Desta forma, posso afirmar que a libertação da subjugação à mente é ensinamento de Krishna, da religião hinduísta, mas também está presente na Bíblia Sagrada. Portanto, é universal: vale para todos os espíritos encarnados. Por isso afirmo que sem o controle da mente, por mais que anseie aproximar-se de Deus, jamais haverá a elevação espiritual.


Hoje, para os espíritos encarnados no ocidente, ou seja, seres humanizados que estão apegados a egos ligados às verdades das religiões cristãs, a elevação espiritual nada tem a ver com controle da mente. Eles acreditam que apenas a prática da caridade material é suficiente para se elevar e por isso desdenham esta atividade.


Preocupam-se em levar um prato de comida para quem precisa e acha que desta forma tudo ficará “bem” para eles, que apenas com isso conquistarão o “reino do céu”. Não gastam um momento sequer nas suas existências para questionar esta própria verdade que é o ego que lhes dá. Se questionassem as verdades que acreditam veriam que a elevação espiritual é muito mais do que doar materialmente.


Foi o que fizemos. Lemos a Bíblia Sagrada que eles leram e na qual Cristo se baseou para transmitir os seus ensinamentos e encontramos outra coisa completamente diferente com relação ao “pecado original” e ao “retorno ao paraíso”. Descobrimos que lá não está dito que o ser universal foi expulso do paraíso e ingressou na roda de encarnações porque não ajudou os outros, mas porque julgou-os. 


Aplicando-se ao escrito esta lógica simples desfizemos, em poucos instantes, verdades que o ego cristão criou sobre elevação espiritual. Baseado no que descobrimos podemos, então, dizer que os ensinamentos da Bíblia afirmam que enquanto o ser universal continuar julgar as “coisas” (objetos, pessoas e acontecimentos), não conseguirá voltar ao seu Real mundo: o espiritual. 


A partir daí você que é cristão precisa incorporar ao seu trabalho de reforma intima também o controle da mente, mesmo que as verdades da sua religião não falem disso. Repare que não estou falando em deixar de praticar à caridade, que, aliás, também é um ensinamento universal, mas fazer mais isto além daquilo.


Quando realizar o controle do ego continuará praticando a caridade ensinada pela sua religião, mas deixará de acreditar no “pobre coitado” que a mente utiliza para qualificar aqueles que estão sendo amparados através da caridade material e só aí poderá chegar perto de Deus. Não só porque ajudou, mas porque não mais quis ter o poder de julgar o mundo. 


Portanto, dar o prato de comida é fundamental para a elevação espiritual, mas desde que seja acompanhado do não julgamento. Só o trabalho realizado dentro do conjunto de caminhos ensinado por todos os mestres pode levar qualquer ser humanizado a aproximar-se de Deus e viver a felicidade que ele tem prometido.


Hoje os cristãos não têm esta verdade presente no seu ego, mas Cristo teve e por isso ensinou constantemente: não julgue, tire a trave do seu olho, você tem que deixar de qualificar as ações do seu inimigo, não critique.


Joaquim de Aruanda

O apego às coisas materiais

O apego às coisas materiais é apontado por todos os mestres como algo que precisa ser vencido para que se alcance a elevação espiritual. Neste sentido lhe pergunto: para que você defende seu corpo, seu nome, sua honra humana? Nada disso é eterno ou Real, mas apenas ilusões temporárias que tem “fim” certo. Por que então defendê-las com tanto ardor?

Além do mais, não compreende que quando defende os aspectos humanos ilusórios com que vive hoje esquece de defender o espírito que é e perde a sua paz, tranquilidade e felicidade, que são ingredientes necessários à plena existência espiritual. 


Para defender o ser humano que imagina ser hoje o espírito humanizado agride a sua existência espiritual e faz o espírito sofrer. Por que? Porque nem sabe o que é a existência espiritual e do que ela se compõe. Iludido sobre as verdades que o ego criou a partir da literatura espírita defende o materialismo crente que está defendo sua espiritualidade.


Fala-se muito no planeta Terra na vida do espírito, no bem espiritual, mas o que se fala destes elementos (vida e bem), não está de acordo com a Realidade dos mesmos elementos, espiritualmente falando. Afirmo que o que o ego lhe diz e você acredita ser “elevação espiritual” é ilusão, irreal, pois tudo o que a mente cria é maya. 


Quer ver um exemplo: sabe o que vai acontecer com você quando for elevado, quando completar a reforma íntima? Muitas respostas podem estar sendo dadas pelo ego agora (“vou viver em cidades espirituais, ser socorristas, etc.”), mas nada do que ele disser pode ser comparado à Realidade, que é sempre muito mais simples do que a mente cria. 


O que diferencia a vida espiritual da material não é onde se vive ou o que se faz, mas sim o “estado de espírito” com o qual o ser universal vive. A única diferença entre o ser humanizado e o universal é que o espírito liberto da ação ilusória da mente alcança a “bem-aventurança” como Cristo ensinou, enquanto que o ser humanizado não consegue atingir a este estado de espírito. 


Nota: ESTADO DE ESPÍRITO - Conjunto de sentimentos que são nutridos pelo espírito durante um determinado momento de sua existência. Estando nervoso, por exemplo, podemos afirmar que ele vivencia naquele momento o estado de espírito nervoso. Na verdade o termo melhor seria “estado sentimental do espírito”.


Mas, o que é “bem-aventurança”? Cristo ensinou e falou o tempo inteiro de sua missão a respeito deste estado de espírito, mas os seres humanizados até hoje não compreenderam este ensinamento. Trata-se da mesma felicidade que os “santos” sentem, ou seja, uma vida vivenciada na paz, felicidade incondicional e harmonia com o mundo.


Para poder se viver a existência espiritual é preciso que estes estados de espíritos estejam presentes nas Realidades que se vivencia. Quando, para defender a sua honra, o seu nome ou a sua própria pessoa durante a vida carnal o “estado de espírito” do ser é alterado, ele está defendendo quem: o espírito ou o ser humanizado? Está vivendo em que Realidade: a material ou a espiritual?


Por isso reafirmo: é importante você compreender que aquele que acredita ser hoje é uma ilusão; que a vida que leva hoje é fantasia; que a existência e as coisas que considera suas são coisas ilusórias e irreais para o Universo. Sem isso não se controla mente alguma e aí não se promove elevação espiritual nenhuma.


Quem valoriza aquele que imagina ser não consegue nada no sentido de realização espiritual. Por esta valorização do que é ilusório sai “brigando” com todos para defender quem imagina ser e nada realiza. A estes. Deus tem sempre um lembrete: não foi para isso que você nasceu.


Através de todos os mestres da humanidade o Pai tem sempre mostrado aos seres humanizados que não existe como defender aqueles que imaginam ser. Por isso Cristo ensinou: se lhe baterem numa face, ofereça a outra; se lhe pedirem a capa, dê o manto; se lhe mandarem carregar um peso um quilômetro, carregue dois.


Portanto, preserve o seu lado espiritual participando das ações da vida material sem defender a materialidade, mas a sua espiritualidade.


Joaquim de Aruanda

Pergunta: Onde acabam os trabalhos da umbanda e onde começam os do espiritismo de Kardec?

Na missão, na função dentro do planeta, como falamos no início. A umbanda tem a função de proteção aos encarnados, de orientação através da consulta (orientação verbal) e o apoio através do passe. 

Já o ensinamento de Kardec, o espiritismo, é outra cadeira da faculdade espiritualista e a função dele é ensinar a realidade da vida fora da carne e como se processa o mecanismo de realização dessa vida e da junção das vidas encarnadas e desencarnadas.


A umbanda não possui missão de ensinamento e sim de ação. Isso, então, quer dizer que o espiritismo não possui missão de ação. O problema é que as religiões querem realizar ações que não lhe pertencem, querendo exercer a missão de outras.


Isso ocorre porque elas não se aceitam como parte do espiritualismo. A partir do momento que o espiritualismo for entendido como a fusão de todas as religiões os seres humanizados deixarão de ser religiosos (espíritas, católicos, umbandista, etc.) e serão espíritas espiritualistas, ou seja, ecumênicos.


Nesse momento os religiosos entenderão o seu papel dentro do apoio aos seres humanizados e com isso a religião exercerá a sua própria função no universo. 


Participante: Isso quer dizer que uma se confunde com a outra?

Todas as religiões se confundem uma com a outra porque todas fazem parte do espiritualismo que é a única religião que existe. No início deixamos bem claro que cada religião é uma cadeira da faculdade espiritualista. Então, todas se confundem quando se vê a religiosidade pelo aspecto espiritualista.

Esta é por definição o trabalho do espiritualismo: cada religião, cada falange espiritual, porque quando se fala em religião se fala em falange espiritual, trazendo uma parte e todas as partes se fundindo formando a religião espiritualismo que na verdade é a religação com Deus.


Joaquim de Aruanda

Tá Escrito

Quem cultiva a semente do amor
Segue em frente e não se apavora
Se na vida encontrar dissabor
Vai saber esperar a sua hora
Quem cultiva a semente do amor
Segue em frente e não se apavora
Se na vida encontrar dissabor
Vai saber esperar a sua hora

Às vezes a felicidade demora a chegar
Aí é que a gente não pode deixar de sonhar
Guerreiro não foge da luta, não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer

É dia de sol, mas o tempo pode fechar
A chuva só vem quando tem que molhar
Na vida é preciso aprender
Se colhe o bem que plantar
É Deus quem aponta a estrela que tem que brilhar

Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar!

Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Sangha BH - Parte 7


Sangha BH - Parte 9


Sobre o dízimo

Participante: tem também a situação dos dízimos. Pastores vendem na televisão um pedaço de papel ungido, terreno no céu, tijolo abençoado. Sei que o dinheiro é deles e podem fazer o que quiserem com ele, mas o caso é que chega a ser revoltante ver este tipo de exploração, pois nestes cultos existem pessoas com pouco ou nenhum grau de instrução. Vemos que eles estão lá por medo. Enchem a cabeça delas com mentiras, põem medo, falam em castigo, em inferno e assim retiram o dinheiro delas. Ouço muitos comentários das pessoas a esse respeito e muitas se revoltam. 

Começo a minha resposta lhe pedindo para observar um detalhe que não expôs. Diz que ouve muitos comentários com revoltas por causa da forma dos pastores agirem. Agora, lhe garanto que nenhum desses é de pessoas evangélicas. Porque será? Talvez porque elas aceitem isso por fazer parte da fé delas. Quem é você para dizer que elas estão erradas?

Outra pergunta que lhe faço. Você não age da mesma maneira que os pastores, não é mesmo? Não estou falando em tirar dinheiro dos outros, mas querer impôs a sua vontade a alguém. Com certeza você não ameaça a ninguém impondo medo para que as pessoas sigam o que você acredita como certo, não é mesmo?

Você não conversa com os outros criando histórias que colocam o medo de um resultado desastroso para que eles possam pensar como você? Claro que sim. Todos quando querem impor a sua verdade a primeira coisa que fazem é inventar um destino sofredor para o que o outro quer fazer. ‘Isso vai dar errado, você vai se machucar’. 

Desculpe, está criticando os pastores, mas você faz a mesma coisa. Como, então critica eles? Como leva as pessoas na boa fé a acreditarem nas suas verdades, no que imagina que sabe? Você pode, eles não ...

É essa hipocrisia da mente, não é sua, que precisam estar atento. Quando é para ela levar vantagem, diz que é certo agir daquela forma, mas quando quem lucrar não for você, ela dirá que é uma ação errada, que se trata de enganar os outros. 

Tenho certeza de que se fosse pastor, faria a mesma coisa. Tenho certeza de que se fosse evangélico iria dar o seu dízimo, mesmo que lhe faltassem coisa por conta disso, com um sorriso no rosto. Porque? Porque sua mente diria que isso era o certo de ser feito. 

É o que acabei de responder: nunca vou encontrar um fator externo quando se trata de perder a paz. Tudo está no seu mundo interior, pois a causa da perda da paz sempre surge do trabalho que a razão humana faz. Tudo que você descreveu e tudo que qualquer um descrever como errado nas religiões ou em qualquer outro assunto, são ideias que ela critica porque não está levando vantagem individual. Se levasse, não criticaria. Tudo em que haja um ganho individual aparentemente não é considerado errado pela mente humana, mesmo que outras considerem dessa forma.

Portanto, a preocupação que fala que tem, é hipocrisia. Volto a dizer: não estou lhe chamando de hipócrita. É a sua mente que é. É ela que trabalha com hipocrisia. 

A sua pergunta está vinculada ao caso da corrupção que já conversamos. O ser humanizado facilmente aponta o político corrupto, mas ela mesmo é corrupta, pois busca levar vantagens indevidas com um bem público. Eu acho que deveriam bater palmas para os políticos, pois com a corrupção deles roubam muito dinheiro, enquanto que você se vendem por quaisquer dez tostões. 

É isso que estou falando. Precisamos para com a ideia de que existem argumentos que mereçam que percamos a paz por eles. Isso não existe. O mesmo argumento que é usado para acusar os outros é usado para defender as ideias são a respeito de algo que lhe traga benefício.

Então, deve trabalhar o que acabou de afirmar em si mesmo ao invés de compactuar com a ideia de sentir alguma revolta por este fato. Não é claro se aceitar a revolta. Ela é antinatural, não faz parte do amor universal.

Mais uma coisa. Essa mesma pergunta me foi feita há quinze anos atrás. Falaram do evangélico e do pastor e eu respondi que era o carma de cada um. A pessoa então me perguntou como ficava o pastor que roubava o dinheiro. Eu disse: isso é entre ele e Deus. O Pai não deu procuração a ninguém para julgá-los. 

Um último detalhe. Saiba que existem pessoas que vão a esses cultos e dão o seu último tostão, mas tem mais fé do que a maioria dos espiritualistas. Tem mais confiança e entrega a Deus do que aquele que acredita que conhece os segredos do universo. 

Quem que está aproveitando mais a encarnação? Ele que ficou sem tostão ou você que viveu a revolta por conta do que sabe? É isso que precisam pensar. Se não mudarem a forma de ver o mundo, se não mudarem o seu mundo interior, não há trabalho pela paz que resista. Viverá em sofrimento eterno.

Não estou falando em sofrer só nesta vida, pois no mundo espiritual também existem evangélicos que pagam o dízimo. Sendo assim, continuará sofrendo. Além disso, essa sua questão de ser justo, de aplicar a justiça, também continuará quando sair da carne. Por este motivo, irá para o mundo dos devas para caçar pastores e tentar convertê-los.

Pai Joaquim