quinta-feira, 14 de abril de 2016

Amor incondicional

RESPOSTA DE JOAQUIM - com Hugo Lapa

http://meeu.com.br/ceu/amor-incondicional/

Participante: o que significa amor incondicional e como pratica-lo num mundo de tantas injustiças e sofrimento? 

O que significa amor incondicional? Amor sem condições, ou seja, quando você apenas ama. Ele não existe quando você ama porque, para que, como, quando e onde.
Quando você apenas ama o amor incondicional existe. Quando você ama porque a outra pessoa lhe faz bem para você, porque aquele homem é bonito, ama porque aquela pessoa é católica ou espírita, etc., neste momento o seu amor não é incondicional, pois houve uma condição para você amar.

Como fazer para amar incondicionalmente num mundo cheio de injustiças? Precisamos investigar um pouco a sua afirmação para podermos responder a questão. 

O que é injustiça? É o fruto da análise de um acontecimento humano por um padrão que mostra o que é justo. Ou seja, quando você vê uma injustiça é porque sabe o que seria justo acontecer. Sabendo alguma coisa, esse seu saber criará uma condicionalidade para o seu amar.

Sendo assim, só posso lhe responder que amar incondicionalmente num mundo onde se vê tanta injustiça e sofrimento, o resultado da vivência da injustiça, é impossível...
Acho que já lhe respondi, mas preciso fazer uma distinção entre dois aspectos do mundo humano para lhe orientar melhor. Quero lhe mostrar a diferença entre conhecimento e saber.
Ter conhecimento é você ter informação. Saber é ter certeza de que o que é conhecido é verdade, é real.

‘Eu sei que aquela pessoa é boa, tenho certeza disso’: esta pessoa você amará condicionalmente. ‘Eu sei que aquela pessoa não é boa, eu sei que aquela pessoa faz o mal’: novamente o amor por esta pessoa será condicionado. ‘Disseram-me que aquela pessoa não presta, mas não sei se isso é verdade’: neste caso o seu amor por esta pessoa pode ser incondicional...

Acho que ficou clara a influência do saber no amar. No entanto, quero colocar mais uma coisa. Sendo a condicionalidade do amor gerada pelo seu saber e sendo o amor incondicional a expressão máxima de cristo, posso dizer que o seu saber é um anticristo. O seu saber é aquele que luta contra Cristo. Você quer seguir com Cristo ou aquele é contrário a ele?

Enfim, encerrando, posso lhe dizer que para amar incondicionalmente num mundo cheio de injustiças é preciso que você não tenha dentro de si valores que levem a decretar se o que aconteceu foi justo ou injusto. Só isso.

Vocês precisam se libertar desse lado humano para poder ser o Cristo e poder amar incondicionalmente.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A prática da caminhada para Deus

Participante: temos, então, que deixar o relativo para atingir o absoluto. Como fazer isso?

Não dando ao que é relativo o valor de absoluto. 

Você é mulher? Isso é algo relativo. Você, o ser universal, não possui sexo. Por isso posso dizer que está mulher nesta encarnação e não que seja. Esta condição é, portanto, relativa, já que existem sexos diferentes e ela é temporária. 

Só que enquanto está, você não pode negar que seja. Hoje você não pode negar que é do sexo feminino. Se fizesse isso estaria sendo hipócrita, pois a forma que hoje ocupa é deste sexo. 

Portanto, absolutamente falando, você não é mulher, mas relativamente falando é. Por isso, deve dizer a si mesmo: ‘estou mulher, mas não sei se sou’. É isso que é libertar-se do relativo sem trocar seis por meia dúzia.

De nada adianta dizer que você não é mulher, pois neste momento é. Hoje para você isso é uma verdade que não pode ser negada. 

Participante: e seu eu disser que não tenho sexo?

Ainda estará usando uma verdade relativa de forma absoluta, pois está afirmando que é algo que não faz a mínima ideia do que seja. Você, dentro da sua concepção atual, sabe o que é não ter sexo, como é não ter? Claro que não. Será que no universo não ter sexo é ter a forma que aqui é determinada como feminino? Você não sabe ...

Portanto, a resposta que lhe leva ao absoluto é sempre não sei. Para se libertar do relativismo é preciso não ter certeza de ser nada, mas constatar que está sendo. 

Por exemplo: vocês estão me ouvindo agora? Por mais que achem que existem sons sendo percebidos pelos ouvidos, respondam a si mesmos: ‘não sei’. Vocês não sabem absolutamente o que é som, o que é ouvir, o que é estar e muito menos o que é agora, como podem responder que sim? 

Apesar de não poderem responder que sim, também não podem negar que estão me ouvindo. Isso porque o momento onde um som é percebido pelo seu ouvido é chamado neste mundo de ouvir. Por isso, o único caminho é dizer a si mesmo: ‘a mente está dizendo que estou ouvindo, mas eu não tenho certeza disso’. 

É esse o trabalho. A mente lhe diz que alguém é ruim, é mal. Diga para ela: não sei. Você não pode dizer que ele é bom, mas também não deve acreditar que ele é ruim. É preciso declarar expressamente que não sabe de nada para não correr o risco de viver uma fantasia imaginando que está vivendo uma realidade. 

Aliás, aproveitando este trabalho para fazermos uma recapitulação de coisas que já falamos, me lembro de uma frase que falei há muito tempo: da sua declaração de incompetência de viver as coisas deste mundo nasce a sua competência para unir-se a Deus. Sempre que declarar-se competente para alguma coisa neste mundo, está se afastando de Deus, pois está vivendo com verdades relativas que classifica como absolutas. Sempre que declarar a sua incompetência está se libertando do seu relativismo e por isso se aproximando do absoluto. 

Esta é a prática da busca de Deus: declarar a sua incompetência para qualquer coisa nessa vida. Só que esta declaração deve ser feita sem absolutismo, mas apenas porque existe a constatação de que tudo que imagina ser é relativo.

Pai Joaquim

Tornando-se absoluto

Já que estamos aproveitando e fazendo uma recapitulação de tudo o que conversamos até hoje, deixe-me falar de uma figura que já fiz muitas vezes. Promover a elevação espiritual é como sentar à margem de um rio e vê-lo passar. 

Você sentado, parado, estático, deve observar a água do rio chegar, passar e ir embora. Só que o ego humano não aceita que isso aconteça. Como as pessoas me perguntam sempre: o que o senhor ensina não é conformismo? Sim, é, mas e daí?


O grande problema é que as pessoas que querem ser protagonistas para poder ter a fama, o elogio, o reconhecimento, a vitória. Por isso querem sempre agir de alguma forma e se incomodam e não aceitam com a ideia de ser conformista, de ser um espectador da vida. 


Voltando ao nosso exemplo, as pessoas que se dizem buscadoras de Deus querem, ao invés de assistir ao rio passar, querem entrar nele e banharem-se ou querem criar uma barragem para reter a água e assim ter mais dela para si, o querer saber. 


Mais um figura que fiz no início do trabalho e muitos talvez não se lembrem, por isso vou repetir aqui. Vocês são como gotas d’água que surgem na nascente do rio e completam todo o percurso até o mar. Quando chegar lá ela terá que se unir a imensidão do mar de uma forma que ninguém mais a percebera. Só que o ego até aceita a ideia de chegar ao mar, mas prefere ser uma gota d’água dentro de um saco plástico para que permaneça existindo individualmente.


Veja se não é isso. Vocês aceitam a ideia de universalismo, mas ainda querem ser os universais. Veja como vocês aceitam a ideia de que existe um Absoluto, um absolutismo no universo, mas querem ser o absoluto do universo.

Pai Joaquim

Busque sem obsessão

Participante: parece que precisa de um relaxamento muito grande para poder observar a mente. Parece que ainda estamos muito tenso com relação à observação.

Vocês não estão tensos por conta da observação, mas sim por conta da existência de um trabalho para ser realizado. 


Imaginam que este trabalho será feito por vocês, que vocês é que realizarão alguma coisa. Por isso é que imaginam que têm que estar dessa ou daquela forma. Esqueça isso: este trabalho requer que você aprenda a brincar de viver. 


O trabalho da observação da mente é importante para quem quer ser feliz, mas para que dê resultado ele precisa ser feito de uma forma leve e não como uma obrigação. Precisa ser executado com amor e sublimidade e não dentro de uma obsessão de realizar alguma coisa como vocês costumam viver as coisas desta vida.


Se não encarar este trabalho com leveza, certamente sofrerá e muito. Isso porque certamente não conseguirá libertar-se da mente todas as vezes. Quando não conseguir, por conta da obsessão de realizar, a mente certamente lhes dará a culpa. Neste momento o sofrimento é o resultado inevitável do pretenso trabalho de busca da felicidade. 


Viva o processo com sublimidade, com leveza. Não gere expectativas. Diga para si mesmo: ‘eu ouvi que preciso seguir este caminho. Me conscientizei de que ele é o melhor para mim. Vou me esforçar para praticar o ensinamento, mas com a consciência de que muitas vezes não conseguirei fazer nada. Nestes momentos, não aceitarei a culpa por não ter feito’. 


Quando não observar a mente, observe que não observou e deixe o barco correr.

Pai Joaquim

Religiosidade

Esse é todo o raciocínio que precisa ser desenvolvido o fato da religiosidade de alguém lhe causar algum constrangimento ou contrariedade. Por que? Porque se tem uma verdade fundamentada no amar indiscriminadamente, incondicionalmente, como aceita qualquer constrangimento ou contrariedade oriundo da expressão da religiosidade de cada um? Repare que interessante: diz que deve amar a todos, acredita nisso, acha importante fazer isso, mas não ama os evangélicos. 

É por isso que digo que é importante o motivo pelo qual existe contrariedade com qualquer ato. Se você diz que quer amar a todos, mas se sente ainda chateado com a ação dos evangélicos, não está amando. O motivo pelo qual não ama é que lhe causa a contrariedade e ele precisa ser conhecido para poder se atacar o verdadeiro inimigo. Mas, na ausência dele, vamos continuar nosso assunto.

Para a nossa conversa de agora, então, fica a questão: perde a paz aquele que aceita o seu individualismo e por isso imagina que a sua religião, que o seu corpo doutrinário e seus ritos, são melhores ou mais importantes do que os dos outros. Aquele que considera a sua religiosidade mais certa do que a dos outros. 

Lembro que quando falamos sobre ecumenismo no início de nossa missão dissemos que a visão humana sobre esse tema, é a fusão de todas as religiões numa só. Mas, isso é impossível. Exatamente pela questão dos corpos doutrinários e pelos ritos conterem informações e formas diferentes, é impossível se fundir todas as religiões numa só.

Ainda disse mais: ecumenismo não é a fusão das religiões, mas a fusão dos ensinamentos de todos os mestres. Ecumênico é aquele que se diz cristão, crê nos ensinamentos de Cristo e na Bíblia, mas que também sabe que não pode ter posse, paixão e desejo, ensinamento de Buda, que não pode ter intencionalidade, ensinamento de Krishna, que vive encarnações, ensinamento do Espírito da Verdade e que sabe que Deus é Causa Primária de todas as coisas, ensinamento do Anjo Gabriel a Maomé. 

Esse é o ecumênico. Para ser, não é preciso que ele frequente os diversos templos das religiões. Precisa sim é fundir no seu conjunto doutrinário os ensinamentos de todos os mestres. 

Se ele é um caminho que acaba com a contrariedade, porque abrange tudo o que existe, é também o caminho da paz. Fundindo em si os ensinamentos dos mestres e praticando-os, se respeita a religiosidade de cada um. Pondo em prática o seu conjunto doutrinário e, por isso, respeitando a religiosidade de cada um, mesmo que leve o religioso a bater na sua porta ou querer lhe mostrar que ele está certo em algum detalhe do corpo doutrinário, estará em paz. 

Quando se respeita a religiosidade de cada um, não se respeita apenas o corpo doutrinário, mas também o rito dela. Falando especificamente dos evangélicos, dentro do rito de algumas seitas desta religiosidade há o caminho de fazer a propaganda da sua fé. Sendo um ecumênico praticante, ou seja, respeitando ao próximo, deve recebe-los, ouvir o que têm para dizer, agradece a visita. Tudo isso sem contrariedades. 

A informação que eles trouxeram? Você faz o que quiser com ela depois que forem embora. 

Este é o caminho para se viver em paz. Esperar que o evangélico aja de uma forma contrária à sua religiosidade só porque você não gosta que eles batam na sua porta, desculpa, mas está querendo ser ditador do mundo. Querendo que o mundo siga a sua religiosidade. 

Acho que deu para dar uma espiada sobre o tema e ter alguma análise sobre o assunto. Como disse, ela ficou prejudicada porque não temos o real motivo. Por isso fizemos um painel sobre a sua convivência com a religiosidade dos outros.

Pai Joaquim

Evangélicos

Participante: o problema é quando os evangélicos se tratam como superiores e dizem coisas como ‘você é do mundo e não de Deus’. Tenho esse exemplo em minha própria família.

Pois é, olha que grande problema: eles se tratam melhor do que você. Estamos chegando no detalhamento que falei.

Qual o problema disso? Não querer ser tratado como menor. Não querer que eles se vangloriem. Não, isso não é problema. Na verdade, o problema é você ceder ao seu egoísmo, ao seu medo de perder, à sua posse. 

Veja bem a prática dos ensinamentos. A sua pergunta foi muito interessante porque expôs um dos motivos pelo qual alguém não gosta dos evangélicos. Quando uma razão real é exposta, podemos, então, fazer uma análise melhor do tema.

Não é o evangélico que se considera melhor que tira a paz. Digo isso porque, por exemplo, no seu trabalho, ou em qualquer outra sociedade que participe, alguém se vangloria e o trata como menor, sente a mesma coisa. Por isso afirmo que o problema não está com os evangélicos, mas sim dentro de você mesmo.

O seu problema não se consiste nos outros se colocarem como melhor, mas no fato de não querer ser colocado como inferior. Veja o caminho para trabalhar para não perder a sua paz quando uma ação desse tipo, que é fato corriqueiro na vida, acontecer. 

Tenho que responder a uma pessoa que está se sentindo a última do mundo. Porque isso? Porque ela se mede pelo que os outros acham dela. Se mede pelo que os outros pensam. Você está fazendo a mesma coisa: está se medindo, se sentindo menor, porque os outros acham isso de você.

Querendo se medir, se meça por si mesmo. Use apenas você para se avaliar. Como o resultado dessa medição será sempre zero, já que você é sempre igual a si, ficará na equanimidade no caminho do meio. Só que vocês sempre se comparam a outros. Por isso, quando usam alguém que consideram menor, entram no prazer; quando o modelo é considerado maior, sofrem.

Não importa o que você seja, tem que amar a si mesmo do jeito que é para poder estar em paz. Sendo um safado, considere-se o melhor, sendo mentiroso, sinta-se o melhor entre todos. 

Jamais se acuse de nada jamais aceite se sentir rebaixado. É contra sentir-se menor que tem que lutar para poder estar em paz.

Como quer ter paz se está aceitando a sua mente lhe dizer que é menor que os outros? Não são as pessoas que estão falando isso. Elas poderiam até dizer, mas se você não aceitasse, não se consideraria e aí não teria contrariedade. Você não é menor do que ninguém. É tanto filho de Deus quanto qualquer outro que se sinta superior. 

Só um detalhe: não precisa dizer isso aos outros. Se for dizer, entrará numa discussão e perderá novamente a paz. Não fale a eles para evitar isso e por respeito à crença deles, a doutrina que eles professam. É ela que diz que eles são o povo escolhido, que são melhores do que os outros. 

Para você, que não professa a crença deles, deve dizer isso. Aliás, pelo mesmo motivo: por respeito a si mesmo. Como você professa uma doutrina que diz que é preciso amar aos outros como a si mesmo, pro respeito a este ensinamento, não consinta em sentir-se rebaixado, seja por que motivo for. 

Também não queira ensiná-los a professar a sua crença. Não fique espalhando ensinamentos para quem não quer. Para você eu posso falar assim, pois está aqui e pelo que sinto está buscando o caminho que mostro. Agora, se um evangélico vier falar comigo, terei que falar dentro da crença deles. 

Lembro de uma história interessante. Havia um grupo de médiuns que buscava os descrentes da sua doutrina no mundo espiritual para convertê-los. Um dia souberam de um pastor que tinha milhares de seguidores no astral. Conseguiram trazê-lo e começaram a doutrina-lo. No início o pastor resistiu e manteve-se fiel à sua doutrina, mas depois de muitas sessões cedeu e acreditou no que lhe era dito. Neste momento um dos médiuns perguntou se agora que ele tinha mudado de fé, será que ele ia converter seus seguidores? A resposta do pastor é o exemplo que devemos usar: ‘para que, eles estão felizes do jeito que são’. 

Essa é uma história real. Claro que tudo aconteceu da forma que Deus fez acontecer, mas a moral que ela nos deixa é muito importante. Todo trabalho deve ser feito em si mesmo e não nos outros. Eles, estão felizes do jeito que estão. 

Você está falando como a pessoa que me falou recentemente que precisava ensinar a esposa as verdades que transmito. Você está querendo ensinar aos evangélicos como eles devem se sentir. Se fizer isso, vai acabar com a felicidade deles e com a sua. 

Além do mais, pergunto: quem lhe deu a prerrogativa de ensinar o certo? Quem lhe deu procuração para agir em defesa de um ensinamento? O seu ego, que é egoísta, que quer vencer os outros.


Pai Joaquim

Dízimos

Participante: tem também a situação dos dízimos. Pastores vendem na televisão um pedaço de papel ungido, terreno no céu, tijolo abençoado. Sei que o dinheiro é deles e podem fazer o que quiserem com ele, mas o caso é que chega a ser revoltante ver este tipo de exploração, pois nestes cultos existem pessoas com pouco ou nenhum grau de instrução. Vemos que eles estão lá por medo. Enchem a cabeça delas com mentiras, põem medo, falam em castigo, em inferno e assim retiram o dinheiro delas. Ouço muitos comentários das pessoas a esse respeito e muitas se revoltam. 

Começo a minha resposta lhe pedindo para observar um detalhe que não expôs. Diz que ouve muitos comentários com revoltas por causa da forma dos pastores agirem. Agora, lhe garanto que nenhum desses é de pessoas evangélicas. Porque será? Talvez porque elas aceitem isso por fazer parte da fé delas. Quem é você para dizer que elas estão erradas?

Outra pergunta que lhe faço. Você não age da mesma maneira que os pastores, não é mesmo? Não estou falando em tirar dinheiro dos outros, mas querer impôs a sua vontade a alguém. Com certeza você não ameaça a ninguém impondo medo para que as pessoas sigam o que você acredita como certo, não é mesmo?

Você não conversa com os outros criando histórias que colocam o medo de um resultado desastroso para que eles possam pensar como você? Claro que sim. Todos quando querem impor a sua verdade a primeira coisa que fazem é inventar um destino sofredor para o que o outro quer fazer. ‘Isso vai dar errado, você vai se machucar’. 

Desculpe, está criticando os pastores, mas você faz a mesma coisa. Como, então critica eles? Como leva as pessoas na boa fé a acreditarem nas suas verdades, no que imagina que sabe? Você pode, eles não ...

É essa hipocrisia da mente, não é sua, que precisam estar atento. Quando é para ela levar vantagem, diz que é certo agir daquela forma, mas quando quem lucrar não for você, ela dirá que é uma ação errada, que se trata de enganar os outros. 

Tenho certeza de que se fosse pastor, faria a mesma coisa. Tenho certeza de que se fosse evangélico iria dar o seu dízimo, mesmo que lhe faltassem coisa por conta disso, com um sorriso no rosto. Porque? Porque sua mente diria que isso era o certo de ser feito. 

É o que acabei de responder: nunca vou encontrar um fator externo quando se trata de perder a paz. Tudo está no seu mundo interior, pois a causa da perda da paz sempre surge do trabalho que a razão humana faz. Tudo que você descreveu e tudo que qualquer um descrever como errado nas religiões ou em qualquer outro assunto, são ideias que ela critica porque não está levando vantagem individual. Se levasse, não criticaria. Tudo em que haja um ganho individual aparentemente não é considerado errado pela mente humana, mesmo que outras considerem dessa forma.

Portanto, a preocupação que fala que tem, é hipocrisia. Volto a dizer: não estou lhe chamando de hipócrita. É a sua mente que é. É ela que trabalha com hipocrisia. 

A sua pergunta está vinculada ao caso da corrupção que já conversamos. O ser humanizado facilmente aponta o político corrupto, mas ela mesmo é corrupta, pois busca levar vantagens indevidas com um bem público. Eu acho que deveriam bater palmas para os políticos, pois com a corrupção deles roubam muito dinheiro, enquanto que você se vendem por quaisquer dez tostões. 

É isso que estou falando. Precisamos para com a ideia de que existem argumentos que mereçam que percamos a paz por eles. Isso não existe. O mesmo argumento que é usado para acusar os outros é usado para defender as ideias são a respeito de algo que lhe traga benefício.

Então, deve trabalhar o que acabou de afirmar em si mesmo ao invés de compactuar com a ideia de sentir alguma revolta por este fato. Não é claro se aceitar a revolta. Ela é antinatural, não faz parte do amor universal.

Mais uma coisa. Essa mesma pergunta me foi feita há quinze anos atrás. Falaram do evangélico e do pastor e eu respondi que era o carma de cada um. A pessoa então me perguntou como ficava o pastor que roubava o dinheiro. Eu disse: isso é entre ele e Deus. O Pai não deu procuração a ninguém para julgá-los. 

Um último detalhe. Saiba que existem pessoas que vão a esses cultos e dão o seu último tostão, mas tem mais fé do que a maioria dos espiritualistas. Tem mais confiança e entrega a Deus do que aquele que acredita que conhece os segredos do universo. 

Quem que está aproveitando mais a encarnação? Ele que ficou sem tostão ou você que viveu a revolta por conta do que sabe? É isso que precisam pensar. Se não mudarem a forma de ver o mundo, se não mudarem o seu mundo interior, não há trabalho pela paz que resista. Viverá em sofrimento eterno.

Não estou falando em sofrer só nesta vida, pois no mundo espiritual também existem evangélicos que pagam o dízimo. Sendo assim, continuará sofrendo. Além disso, essa sua questão de ser justo, de aplicar a justiça, também continuará quando sair da carne. Por este motivo, irá para o mundo dos devas para caçar pastores e tentar convertê-los.

Pai Joaquim