terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Existe uma crença que se chama a melhora da morte

Participante: Existe uma crença que se chama a melhora da morte. O paciente está no hospital, por exemplo, ruim e têm uma melhora surpreendente e depois morre. Isso realmente já aconteceu várias vezes. 

Pode ser essa lucidez do mundo melhor que irá viver e com isso começa a se apagar a dor. Pode ser, mas também pode ser muitas outras coisas. 

Pode ser uma nova ilusão para aquele que estão apegados a carne, com a finalidade de verificar se ele vai naquele curto espaço mudar a sua forma de viver ou se vai continuar preso à que estava. Vamos dizer assim: uma pessoa muito rabugenta tem essa última chance de se libertar da rabugice e aí não se liberta. 


Isso são detalhes de desencarnes. O que precisamos compreender realmente é muito mais do que detalhes. É saber que existem tratamentos diferenciados para o processo morte, de acordo com o merecimento de cada um. 


O que importa realmente é não criar regras, mas saber que o momento do seu desencarne será ditado como merecimento da sua existência carnal. Ou seja, ele depende da sua maneira de viver: se vive preso ao materialismo, vai ter um determinado padrão no desencarne; estando liberto, vai ter outro. 


Portanto, mais importante do que querer saber o que acontece no desencarne é compreendermos que não há morte e que devemos nos preparar a vida inteira para morrer. Isso pode lhe garantir o desencarne sem traumas. 


Aliás, só isso pode lhe garantir um desencarne sem traumas. Enquanto você viver o mundo material de forma diferente do espiritual aguardando chegar a morte para colocar em prática os ensinamentos dos mestres, certamente terá trauma no seu desencarne. 


Este trauma é inevitável porque neste caso estará saindo de um lugar e irá para outro, de uma condição e para outra. O choque entre culturas e objetivos de existência é grande e isso causa traumas.


Por isso Cristo nos ensina na primeira logia do Evangelho Tomé: aquele que descobrir o segredo dessas palavras não encontrará a morte. Fomos bem claro quando comentamos este ensinamento: é preciso se compreender que não há morte, mas para alcançar esta compreensão é preciso se entender que não há vida humana independente da espiritual. 


Viver a vida humana como independente da espiritual leva à morte, ou seja, a traumas no desencarne. Viver a vida material como extensão da existência espiritual e, portanto, com os mesmos valores, não leva a morte. 


Por isso sempre digo: é preciso destruir a separação entre espiritual e material. Compreender o mundo inteiro, a existência como uma coisa só. É preciso viver tanto a encarnação quanto a vida desencarnada num só sentido, de uma só forma, numa só intenção. Quando o espírito alcança isso acaba com a morte. Neste momento, não haverá processos de mudança e com isso não haverá traumas. 


Mas, se o espírito viver a vida material, por mais elevado que seja em conhecimentos espirituais, sem os objetivos espirituais, estará criando para si um trauma no momento do desencarne. Isso porque separou a vida espiritual da material. 


Isso que é importante compreender. Sem este entendimento os espíritos encarnados ainda ficam presos no querer entender a morte, saber como ela ocorre. Só que a morte não se entende; ninguém conhece com antecedência o seu desencarne individual. 


Sabe por que nenhum ser humano entende a morte? Porque a morte é individual. Cada um morre diferente do outro. O processo morte para aqueles que estão presos à matéria faz parte do carma e o carma é individual. 


É por isso que até hoje ninguém pode dizer: morrer é isso ou aquilo. A morte é um carma e não um processo genérico para todos os espíritos. Cada um morre de um jeito diferente. É por isso que ninguém consegue descrever a morte. 


Muito mais importante do que se preparar para a morte é destruí-la, destruir o processo de distinção entre vidas. Se você tiver um processo morte, ou seja, se acreditar que há outra vida independente desta, certamente viverá um processo morte e com isso sofrerá um trauma, que não será igual ao de nenhum outro espírito, pois a morte é carma individual. 


Para acabar com esse processo morte você precisa morrer em vida, destruir a vida. Ou seja, precisa viver a vida material como se espiritual fosse, porque ela já é. Precisa mover-se pelos mesmos modos e objetivos do mundo que você chama fora da carne.


É preciso a vida de uma forma diferente, viver de outro jeito: é isso que quer dizer quem descobriu o segredo dessas palavras não encontrará a morte, que Cristo falou no Evangelho de Tomé. Ou seja, quem descobrir o segredo dessas palavras encontrará uma nova forma de viver que não lhe levará a um processo de morte. 


Ficou claro isso? Quando destruímos o mundo material e o espiritual e vivemos as existências de forma única, acaba a morte. Porque, como foi dito, o espírito já vai estar consciente do que está acontecendo.


Portanto, não adianta se ensinar a morrer: é preciso ensinar a viver. É por isso que nós dizemos assim: o Espiritualismo Ecumênico Universal é uma doutrina de vida. Seus ensinamentos precisam ser postos em prática nesta existência.


Apesar disso, tem gente me ouvindo e guardando para colocar em prática o que digo depois de morrer. O problema é que este não vai saber nem que morreu. Como é que vai saber à hora de colocar em prática?


Joaquim de Aruanda
 

Não existe o fim da vida espiritual e o início de uma vida diferente

Não existe o fim da vida espiritual e o início de uma vida diferente (material). O que existe é a mesma existência eterna sendo vivenciada dentro e fora da carne. 

Sendo assim, tudo que se aplica ao espírito no mundo que você chama de espiritual, se aplica a você no mundo carnal. Portanto, não existe a separação que você quer que exista. 

‘Minha hora de trabalho material é sagrada e o meu afazer profissional não tem nada a ver com os meus momentos de espiritualização’. Este é o pensamento de quem separa o mundo em dois. Mas, quem faz isso quebra a vida do espírito em diversos fragmentos: neste momento sou homem, aqui sou espírito, agora volto a ser homem. 

A vida do espírito é uma só, eternamente. Por isso deve se viver todos os acontecimentos da existência na carne ou fora dela como espírito, preocupados com as coisas espirituais.

Joaquim de Aruanda

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O seu problema não está fora de você

Filhos, por favor, pelo amor de Deus, compreendam de vez uma coisa: o seu problema não está fora de você. A sua dificuldade e o seu sofrimento não estão fora de você. Tudo está na maneira como você se relaciona com as coisas. 

Sendo assim, não podemos dizer que a ciência humana é a culpada do materialismo: o culpado é o homem que utiliza a ciência humana como poder. Da mesma forma, o culpado do seu problema não é a pessoa que está fazendo alguma coisa, mas sim você, que está reagindo desta forma ao que aquela pessoa está fazendo. 

Nós precisamos parar com isso. Precisamos deixar de sair como uma metralhadora acusando o mundo inteiro de estar errado. O mundo está certo, está perfeito. O mundo é governado por Deus, a Inteligência Suprema, por isso jamais poderá ser imperfeito. 

Nós, os espíritos, recebemos do Pai o livre arbítrio de interpretar o que Ele faz do jeito que quisermos. Somos nós que interpretamos o que Deus está fazendo de uma forma sofredora, de uma forma problemática. Somos nós que precisamos mudar e não o mundo, porque ele está perfeito.
Nós precisamos mudar a nossa forma de nos relacionarmos com o mundo. Precisamos, por exemplo, estudar para médico e exercer a medicina, mas devemos saber que existe um Deus por trás da atividade médica. Precisamos compreender que nós não somos deuses e que por isso não somos capazes de dar a vida ou uma morte para alguém. 

Na hora que vocês estudarem a medicina subserviente a Deus utilizam este instrumento da encarnação de uma forma positiva, mas enquanto praticarem a medicina achando que são deuses, que são os senhores da vida e da morte, vão se utilizar deste instrumento de uma forma negativa.
O negativismo ao qual me refiro não é para os outros, mas para você mesmo. Só quem vai perder com essa forma de proceder é você mesmo. Tenha a certeza que Deus não o deixaria tirar a vida de quem não precisava ou merecia a perder. 

Portanto, precisamos entender que todos os problemas do mundo se resumem na sua forma de ver a coisa. No seu jeito de ver as coisas. Na verdade, tudo surge no seu querer as coisas: quando o mundo não lhe dá, você sofre. De nada adianta desejar as coisas, pois quando o mundo não as der, com certeza você sofrerá.
O ser feliz se resume na forma como você se relaciona com esse mundo. Enquanto não mudar sua forma de se relacionar, ou seja, retirar desta relação, desta interação com as coisas, todas as suas verdades (paixões) e desejos e utilizar a Realidade (é Deus agindo, Deus fazendo da forma perfeita) o seu mundo jamais mudará.

Vocês estão esperando uma grande comitiva cair do céu para resolver sua vida? Desculpe, mas isso não vai acontecer. Milhares de espíritos estão na Terra diariamente, mas eles não vêm resolver sua vida. Só quem pode resolvê-la é você mesmo. 

Mas, para resolvê-la, ou seja, ser feliz é preciso compreender que não podem continuar vivendo com as mesmas perspectivas: resolvê-la do jeito que você quer que ela se resolva. Isso é impossível.
Você tem que resolvê-la vivendo-a do jeito que está, sem se contrapor a isso. Sem lutar contra isso. Sem querer que ela fosse diferente. Este é o segredo da vida, o segredo da felicidade que vocês buscam a milhares de anos e não conseguem. 

Não conseguem por quê? Porque ainda estão querendo mudar o mundo para ser feliz, quando na realidade precisam mudar a forma de viver, mudar a forma de se relacionar com o mundo. 

Se houvesse algo que eu pudesse pedir a Deus em favor de vocês seria isso: que pudessem entender que o mundo está perfeito e que é preciso se mudar frente ao mundo. Se conseguirem aprender isso, nada mais haveria para ser aprendido. 

Você pode pegar todo o resto que já leu ou ouviu a respeito de espiritualidade e jogar fora. Poderia pegar todos os outros livros ditos sagrados – não só O Livro dos Espíritos, mas a Bíblia, o Bhagavad Gita, os sutas de Buda – e jogar fora. Isto porque tudo que está escrito nestes livros é simplesmente a forma de se praticar isso, a forma de viver a vida dentro da Realidade, a forma como não aceitar o que a mente fala. 

Joaquim de Aruanda

Você é materialista?

Ser materialista já pressupõe que se considera a matéria, as coisas materiais, como a única realidade. Sendo assim, quase todos que mexem muito com parte material acreditam que essa parte é a realidade completa. Estes são os materialistas. 

Já os espiritualistas são aqueles que sabem que o que conhecem materialmente é apenas uma parte de uma realidade muito maior que eles desconhecem. Por isso, eles não se fixam nas leis materiais para dizer se as coisas estão certas ou erradas. 

Os espiritualistas, por exemplo, não creditam que a vida é o resultado de combinações químicas. Por isso não afirmam que são elas que formam o bebê dentro do útero materno. Mas, também não afirmam que não: eles apenas sabem que existem muitas coisas acontecendo por trás das ações materiais que ele desconhece.

É isso que precisamos compreender. Enquanto estivermos presos à realidade material, enquanto acharmos que o que vemos, o que sentimos ou o que pegamos é o que existe, seremos eternamente materialistas. Isso porque continuaremos dependente das nossas percepções e com isso não veremos o mundo acontecendo além dos nossos sentidos.

Espiritualista materialista: isso é uma coisa muito mais normal do que se pensa. As pessoas estudam o espiritismo, o hinduísmo, o budismo ou qualquer outra doutrinas, mas só acreditam no que elas acham, veem, pegam, mesmo que seja através de qualquer processo mediúnico.
Aliás, até um dos discípulos de Cristo foi um espiritualista materialista: Tomé.. Ele precisou botar o dedo nos buracos no corpo de Cristo para acreditar que era ele. 

Somos ‘Tomés’ ainda exigindo confirmação material para as coisas espirituais ou submetendo a verdade espiritual a avanços e conhecimentos científicos. Se a ciência humana não comprovar uma informação dada por um espírito, o espiritualista materialista não acredita. 

Joaquim de Aruanda

A fé e o medo

Os apóstolos estavam num barco com Cristo. Durante a travessia veio um vento muito forte que criou grandes ondas que ameaçavam a estabilidade do barco. Os apóstolos ficaram com medo e pediram ajuda a Cristo. Depois de ordenar ao vento para parar, o mestre pergunta aos seus seguidores: ‘Porque vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?
A partir das palavras de Cristo, podemos entender que sua mensagem é: quem tem fé não tem medo... Pergunto: o que é fé? O que é a fé que Cristo ensina e que pode acabar com o medo? A entrega com confiança total em Deus...

Quem se entrega com fé a Deus, ou seja, com confiança total, de que precisa ter medo? Quem está ligado a Deus não tem medo de nada, porque tem o próprio Deus ao seu lado.
Qual o problema da onda que sacode o barco? Ele virar e os ocupantes morrerem? Mas, todo ser humano não vai morrer um dia? Qual o problema de morrer hoje ou amanhã? Além do mais, o que é mais importante: continuar vivo e afastado de Deus ou estar vivo ou morto em comunhão com Ele?

O ser humanizado tem medo porque está afastado de Deus. Por que imagina que Deus tem que estar ao serviço do interesse do ser (neste caso, permanecer vivo). Mas, como Cristo ensina, Deus tem um propósito para tudo. 

O medo do ser humanizado não altera jamais o propósito de Deus. Se estiver nos propósitos Dele o barco afundar, em que o medo pode mudar este acontecimento? 

Os propósitos de Deus não são jamais alterados pelo que o ser humanizado quer, pensa ou sente. Quantas vezes o ser humano pratica determinada atitudes sem medo algum de conseqüências e estas acabam sendo funestas? Não é o medo ou a ausência dele que determina o resultado de uma ação, mas os desígnios de Deus, que são insondáveis.
Não se deve ter medo, pois ele denota apenas a falta de confiança em Deus. Se o destino depende apenas dos Seus desígnios, aquele que se entrega com confiança a Deus vive este desígnio em paz, mas aquele que assim não faz, o vivencia com medo.

Para não ter medo, o ser humanizado precisa caminhar na sua vida com a certeza que todos os seus passos estão contados por Deus, que fazem parte do plano maior que Ele tem para cada um. Caminhar com a consciência de que todos os seus caminhos estão delineados por Deus. 

Quando o Pai delineia este caminho, o que O move é a chamada lei da causa e efeito. Ou seja, cada passo do ser humanizado na vida humana é construído como efeito de um passo anterior. Além disso, a construção deste caminho por Deus tem apenas um destino a ser alcançado: a evolução do ser universal, a evolução espiritual. É fundamentado nestas duas premissas que advém a confiança na entrega que faz existir a fé que acaba com o medo.
Sendo assim, quem tem fé não tem medo nem se preocupa com os acontecimentos, mas sim com a base sentimental com a qual vivencia os acontecimentos da vida. Vivenciando cada acontecimento com fé, o ser humanizado tem a certeza que o seu caminhar é justo (perfeito efeito gerado por uma causa) e que o levará à elevação espiritual. 

Essa deve ser a preocupação do ser humanizado: neste momento estou vivenciando este acontecimento com entrega total confiante em Deus ou estou vivenciando-o com medo, com esperança de uma satisfação individual, com cobiça, etc.? Quando o ser humanizado se preocupa em vivenciar cada momento com fé sente-se ao lado de Deus e por isso não tem medo.

Aliás, na própria Bíblia está escrito: se Deus é a seu favor, quem pode ser contra? Se o ser humanizado sentir-se ao lado de Deus nada temerá. Mesmo que o barco sucumba nas ondas, o ser humanizado saberá que aquilo fez parte do caminho delineado por Deus para ele no sentido de levá-lo à elevação espiritual. 

Mas, o ser humanizado continua rezando a Deus para salvá-lo, para livrá-lo daquilo que o Senhor programou para ele como o caminho para sua glória. Este é o ser que ao invés de entregar-se a Deus, O exila no céu e coloca-O a serviço de sua vontade individual ao invés de confiar nos Seus planos. 

Pai Joaquim

Como saber qual a mensagem é verdadeira?

O Espírito da Verdade afirma: diversos espíritos falam coisas diferentes, ensinam verdades diferentes. Como, então, saber qual a mensagem é verdadeira?

Na verdade não existe ninguém falando nada diferente. O que existe são interpretações diferentes para uma só mensagem. No fundo todos falam a mesma coisa, mas cada um que recebe a mensagem a interpreta do jeito que quer. 

Portanto, para podermos compreender bem esta questão da multiplicidade de informações, precisamos compreender o que é interpretar. O que é interpretar um texto?

Participante: Entender um texto.

Sim, interpretar um texto é alcançar um entendimento sobre ele. Mas, a interpretação de um texto é feito a partir do que? A partir do que se entende o texto? Não. Eu diria que a interpretação de um texto é feita a partir das verdades que você coloca no raciocínio enquanto lê o texto.

Vou dar um exemplo para entendermos melhor o que quero dizer. Se você é racista, por exemplo, e lê um texto que ataca os negros, vai dizer que é um texto ótimo. Que ele é formado de verdades. Agora, se não é racista, não vai achar aquele texto verdadeiro. 

A partir desta simples visão, posso dizer que todas as interpretações são formadas a partir de verdades pré-existentes. Ou seja, a sua compreensão sobre qualquer texto é formada a partir do que você já acredita e não do que quem escreveu acreditava. É o que você acha sobre o assunto que servirá como base para a formação de uma interpretação.

Vamos mais longe neste assunto. Digamos que você vai a uma palestra em um centro espírita onde o palestrante está falando a respeito de ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos. Será que o que ele está falando é o que Kardec compreendia quando escreveu este livro? Não, ele está passando uma interpretação dele, ou seja, verdades que surgiram quando ele leu O Livro dos Espíritos e o interpretou segundo suas crenças anteriores. Não é mais o que Kardec escreveu, mas o que ele achou a partir do que Kardec escreveu.

Se isso é verdade, pergunto: quem nós devemos ouvir? Se cada um repassa apenas a sua compreensão sobre o tema, a quem nós devemos ouvir? Àquele que utiliza como base para a interpretação as verdades ensinadas pelos mestres...

Vou dar um exemplo. Cristo ensina que não se deve amealhar bens na Terra. Isso é uma verdade trazida por um mestre que deve estar presente na interpretação de qualquer ensinamento que você receba.
Agora digamos que você ouça alguém citar uma passagem de um livro cristão dizendo que ela afirma que o ser humano deve desejar possuir bens terrestres. Esta informação é verdadeira? Não. 

Trata-se apenas de uma interpretação feita a partir de valores individuais daquele espírito encarnado e não o que Cristo quis dizer. Isso porque aquele ser humanizado ao interpretar tal passagem não utilizou as verdades de Cristo, mas as suas próprias: o seu achar que possuir elementos materiais é certo. 

Então veja: é necessário na hora que ouvimos uma opinião avaliá-la a partir das verdades trazidas pelos mestres. Isso porque eles vieram em nome de Deus, vieram trazer a verdade de Deus. 

Esta é, vamos dizer assim, a base para interpretar qualquer ensinamento religioso. É por isso que Cristo diz assim: quem fala em meu nome não pode ser contra mim. Ou seja, quem utiliza as bases da verdade que Cristo trouxe, só pode estar falando o que ele trouxe. 

Quando alguém utiliza como base do que está falando o que ele acha, o que sabe, não está falando em nome de Cristo, mas em seu próprio nome. Ele está passando uma interpretação pessoal sobre o assunto e não uma verdade trazida por um mestre.

É isso que precisamos entender quando nos deparamos com diversas interpretações sobre um assunto: qual a interpretação se apega ao ensinamento do mestre, ao total ensinamento do mestre? É isso que temos que estar sempre preocupado em perceber.

Joaquim de Aruanda

Aquele que conheceu o mundo encontrou um cadáver

“056. Disse Jesus: aquele que conheceu o mundo encontrou um cadáver, e aquele que encontrou um cadáver, o mundo não serve para ele”.

“aquele que conheceu o mundo”

Todos os enviados de Deus afirmaram e afirmam que o ser humano é mais do que se imagina. Chamaram a esse “mais” de alma ou espírito. Não importando a palavra, o que eles afirmaram é que o ser humano é composto por matérias carnais que possuem um prazo determinado de existência e alguma coisa a mais que tem eternidade. É este “algo mais” que muitos seres humanos não conseguem identificar, não conseguem achar dentro deles mesmos.

Kardec nos deixou o ensinamento de que existem “três coisas que são o princípio de tudo” (“Livro dos Espíritos” – pergunta 27). Essas três “coisas” são: “matéria, espírito e Deus, o criador, o pai de todas as coisas” (pergunta 27).

Os espíritos em evolução não conseguem ainda compreender Deus porque falta a eles “um sentido” (pergunta 10 do Livro dos Espíritos). A “coisa” matéria é “o laço que retém o espírito; é o instrumento de que ele se serve e, ao mesmo tempo, sobre o qual exerce a sua ação” (pergunta 22). Quanto à “coisa” espiritual, a espiritualidade informou a Kardec que é “o princípio inteligente do Universo” (pergunta 23). 

Tudo o que existe no Universo é composto por estas três “coisas” ou “reinos”: matéria, espírito e Deus.
O ser humano não poderia ser diferente, ou seja, não poderia ser único no Universo. Todo ser humano é composto por elementos destes três reinos. 

Buda Gautama deixou como ensinamento que para se alcançar elevação espiritual há a necessidade de se compreender que tudo no Universo é composto e não único. O ser humano é composto de matérias (minerais, líquidos, gases, vegetais e animais), de espírito e de Deus. Ele não é único, pois tem em si cada uma das demais “coisas” do Universo em quantidades variadas, ou seja, é composto do somatório de todas essas coisas.

“Encontrar o mundo” é querer manter a unidade do ser humano e não compreender a sua multiplicidade, não querer entender a sua composição em “coisas” universais, já informadas a Kardec. Encontrar o mundo é considerar-se ser humano e não um composto formado pelas “coisas” universais.

Para se alcançar elevação espiritual é necessário que se tenha consciência do todo formado pelas diversas “coisas” do Universo. A elevação começa com a consciência da Primeira Verdade Universal: você já é um espírito, apesar de estar habitando uma massa carnal. É preciso abandonar a convicção que só nos tornaremos um espírito quando houver o desencarne.

Toda vida do ser humano necessita ser modificada, pois ela não contempla esta verdade. Jesus nos alertou que devemos buscar possuir bens no “céu” e não na Terra. Levar uma vida em busca da satisfação material, deixando as “conquistas” espirituais para depois do desencarne, é “encontrar o mundo”.

“encontrou um cadáver”

Outro ensinamento de Sidarta Gautama (Buda), nos diz que as “coisas” do Universo não são permanentes: elas se transformam constantemente. Tudo que existe vive uma etapa sob uma forma e na etapa seguinte se transforma. A folha que cai vira adubo, o animal vira alimento. A folha não acabou, mas continuará a “existir” como fertilizante, o animal “viverá” como o alimento para o ser humano ou outros animais. A água do rio se transformará em chuva; continuará existindo quando fizer parte de uma planta com seu fruto e voltará ao rio pelos lençóis d’água subterrâneos depois de ser expelida dos corpos físicos pela urina.

Isto foi transmitido a Allan Kardec e repassado por ele aos espíritos encarnados:

“A matéria inerte se decompõe e toma nova forma ...”. (O Livro dos Espíritos – pergunta 70).
O ser humano, aquele que se imagina uno, não vê as coisas universais como seus próprios componentes, não consegue entender esta impermanência das coisas e imagina que a morte do corpo físico é o fim. O cadáver, neste ensinamento, simboliza o fim. 

Aquele que encontra um cadáver imagina que houve um “fim” para ele e necessitará de um recomeço sob nova forma, pois a coisa espiritual (espírito) ainda não está presente dentro dele. Para aqueles que ainda se consideram unos, existe sempre um fim de alguma coisa e o início de outra.

Se o ser humano é um composto de todas as coisas universais, a coisa espiritual (espírito) já existe dentro dele. Quando alcançar esta consciência o ser compreenderá que a morte é apenas uma transformação da sua matéria física em alimento para outras formas e que a coisa espiritual é ele mesmo, o ser inteligente.

Esta coisa espiritual (espírito) sempre existiu e compôs o ser humano durante toda a sua existência. Na “morte”, ela apenas se liberta do “laço que a retém” (corpo físico). O espírito vive eternamente, independentemente de estar aprisionado ou não à matéria carnal.
“aquele que encontrou um cadáver, o mundo não serve para ele”

A não compreensão ou aceitação desta existência espiritual faz com que os espíritos na carne não compreendam a universalidade das coisas. Existe no universo um equilíbrio perfeito entre as coisas. Sem amarras, os planetas giram em órbitas perfeitas ao redor do sol e a lua afeta as marés do oceano.

Buda deixou nos seus ensinamentos que o universo é interdependente, ou seja, tudo se relaciona, todos os fatos acontecidos influem em todas as coisas, como ondas que se propagam. 

Para haver vida há necessidade de oxigênio. Se em um país a poluição for grande, todo o planeta e o Universo serão afetados por ela. Os efeitos do trabalho de um grupo de espíritos são sempre sentidos por toda humanidade. 

Para que exista este balanceamento perfeito das coisas há a necessidade de um comandante supremo: Deus. É o Pai, o Criador, a Inteligência Suprema que causa todas as coisas universais para que este equilíbrio seja mantido. Deus age assim para proporcionar a cada ser elementos necessários para a sua evolução.

Portanto, o mundo espiritual não é individual, mas sim coletivo. Todos os espíritos com certo grau de evolução compreendem esta correlação entre as coisas e buscam sempre alcançar o “bem” da coletividade e não a satisfação pessoal.

O ser humano, ou seja, o espírito que não “vê” o universo dessa maneira coletiva, não consegue compreender a necessidade dessa interdependência das coisas e, por isso, busca apenas alcançar seu prazer próprio. O mundo do ser humano é individualizado, ou seja, existe para satisfazer os seus anseios pessoais.

No entanto, se essa satisfação pessoal fosse realizada, todo o equilíbrio universal seria afetado. Em proporções minúsculas, podemos ver isto acontecer no próprio planeta Terra. Os países mais desenvolvidos não abrem mão da sua industrialização, que afeta com a poluição todos os seres humanos. O homem represa as águas dos rios porque busca mais energia elétrica para impulsionar o seu futuro, mas se esquece que com isso os animais e vegetais sofrem as consequências.

Aquele que não encontrar a coisa espiritual dentro de si mesmo não conseguirá entender esta interdependência das coisas e continuará a ser individualista. Deus, porém, não pode satisfazer os desejos de uns em detrimento de outros, pois Ele é a Justiça Perfeita.
Por este motivo, o mundo não serve para aquele que não encontra em si a coisa espiritual (espírito). Os acontecimentos da vida de um ser humano nunca poderão apenas satisfazer seus anseios pessoais, mas sempre serão comandados por Deus para que o equilíbrio universal se mantenha. É da não visão desta ação divina (Justiça Perfeita) que o ser humano vê nos acontecimentos a “injustiça”.

Quando os anseios do ser humano não são atingidos ele sofre, pois nos seus conceitos, ele tem seu próprio “querer”. Para que ele viva no mundo de Deus, onde todas as coisas são justas e amorosas, é necessário que o ser humano abra mão do seu individualismo e aceite todos os acontecimentos como fonte de uma Inteligência Suprema, que age objetivando manter o equilíbrio universal.

Alcançar a felicidade universal é entender-se como um ser composto pelo todo, um ser individual, mas não individualista e ter fé no comando do equilíbrio do universo, pois ele é mantido para que a Justiça Perfeita se imponha com Amor Sublime. 

Joaquim de Aruanda